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Dólar cai mais de 1% ante real com demanda global por ativos arriscados

7 dez 2021 17h11
| atualizado às 17h33
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O dólar perdeu amplo terreno em relação ao real nesta terça-feira, acompanhando melhora internacional no apetite por risco de investidores em meio ao alívio, pelo menos por ora, de temores relacionados à variante Ômicron da Covid-19.

Mostrando fraqueza desde os primeiros minutos de negociação, a moeda norte-americana encerrou a sessão em queda de 1,27%, a 5,6204 reais na venda, seu pior desempenho diário desde 11 de novembro.

Alexandre Netto, chefe de câmbio da Acqua-Vero Investimentos disse à Reuters que enxerga a movimentação desta sessão "como um movimento de 'risk-on', maior apetite de risco", citando "bolsas no azul, commodities subindo e várias (moedas) emergentes ganhando contra o dólar hoje".

Peso mexicano e dólar australiano, duas divisas sensíveis a risco cujo movimento o real tende a acompanhar, apresentavam altas acentuadas nesta tarde, enquanto os principais índices de Wall Street disparavam, ajudando o Ibovespa.

O aumento na demanda por ativos mais arriscados veio após redução nos temores internacionais em relação à variante Ômicron do coronavírus. Embora ainda haja dúvidas sobre o quão grave e contagiosa é a cepa recém-descoberta, a falta de evidências concretas de que ela seria resistente às vacinas contra a Covid-19 animava investidores.

Além disso, o maior especialista em doenças infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, disse nesta terça-feira que evidências preliminares indicam que a variante é menos grave, embora possa ter grau mais alto de transmissibilidade.

A valorização de commodities como o minério de ferro --após a China anunciar novas medidas para ampliar a liquidez aos mercados-- também forneceu suporte a moedas de mercados emergentes neste pregão.

Enquanto isso, no Brasil, investidores aguardavam a conclusão da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira, quando deve anunciar elevação da taxa Selic em 1,50 ponto percentual, a 9,25% ao ano, de acordo com pesquisa da Reuters com economistas.

Juros mais altos no Brasil elevam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, o que tenderia a atrair mais recursos estrangeiros para o país, aumentando a demanda pelo real. Mesmo assim, alguns especialistas esperam impacto limitado da reunião do Copom desta semana no câmbio, uma vez que "a subida de juros já estava precificada", disse Netto, da Acqua-Vero.

Expectativas de que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, antecipe aumentos de juros para 2022 diante da persistência da inflação também podem ofuscar o atual ciclo de aperto monetário no Brasil, segundo participantes do mercado.

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