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Dólar avança de forma generalizada e DXY atinge maior nível desde julho de 2017

27 jun 2018
15h48
atualizado em 2/7/2018 às 15h06
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O dólar apresentou ganhos generalizados nesta quarta-feira, com forte alta em relação a moedas principais e emergentes, em meio a dados melhores que a previsão da economia dos Estados Unidos e discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Próximo ao horário de fechamento das bolsas em Nova York, o dólar subia para 110,28 ienes, o euro recuava para US$ 1,1548 e a libra cedia para US$ 1,3110. Já o índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de outras seis divisas fortes, fechou em alta de 0,64%, aos 95,268 pontos, no maior nível desde 13 de julho de 2017. Logo no início do dia, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou nova versão de seu boletim econômico, onde aponta que a evolução da taxa de câmbio deve desempenhar um papel importante na definição das perspectivas para a inflação medidas pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Eurostat. Nos últimos dias, o euro apresentou leve valorização à medida que se aproxima a cúpula de líderes da União Europeia, onde é esperado que haja um acordo em torno da questão imigratória na região. Para o BCE, o núcleo do CPI, que exclui itens como energia e alimentos, é mais sensível aos movimentos de valorização do euro "devido particularmente aos componentes de bens duráveis". Ainda no âmbito da política monetária, mas em solo americano, três dirigentes do Fed se pronunciaram sobre os rumos da economia dos EUA. O primeiro foi o diretor Randal Quarles, que comentou que o impacto macroeconômico das tarifas comerciais aplicadas por Washington até o momento é "relativamente pequeno". No entanto, Quarles insistiu que não compete à autoridade monetária americana e a seus dirigentes avaliar ações individuais da política comercial do país. O presidente da distrital de Boston do Fed, Eric Rosengren, não moderou o seu habitual tom hawkish. Ele afirmou que, com a inflação perto da meta de 2% do banco central e a taxa de desemprego próximo dos menores níveis em um século, há o risco de aumento dos preços e dos salários nos EUA. Além disso, ele afirmou que a inflação poderia, ainda, subir ainda mais devido aos salários, que avançaram rapidamente, na visão do dirigente. Já o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, não se desgrudou do seu tom dovish ao dizer que se o Fed elevar juros demais e muito rápido pode haver um risco ao crescimento econômico americano e, por isso, os níveis das taxas deveriam permanecer inalterados. Indicadores da atividade em solo americano, no entanto, deram mais aval à visão de Rosengren. De acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, as encomendas de bens duráveis caíram 0,6% na passagem de abril para maio, em uma queda menor do que a prevista por analistas (-1,0%). Além disso, a variação mensal de abril foi revisada de -1,7% para -1,0%. Não por acaso, o Goldman Sachs elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) anualizado dos EUA no segundo trimestre para 4,1%, enquanto o Barclays aumentou sua projeção para 4,7%. Apesar disso, o Barclays aponta que os indicadores americanos já são indicativos "de uma reação à agenda protecionista nos EUA. Não temos dados suficientes para fazer uma determinação conclusiva até o momento, mas vemos os detalhes sugerindo que o setor privado está se ajustando antecipadamente à expectativa de políticas comerciais restritivas do governo dos EUA e de nossos parceiros comerciais". O banco, no entanto, vê parte do forte crescimento dos EUA como um fator transitório "e que não deve continuar no segundo semestre do ano". Commodities e emergentes Não foram somente as moedas de países emergentes e ligados a commodities que sofreram com a pressão altista do dólar. Nem mesmo o salto de mais de 2% dos preços do petróleo deu alívio a outras divisas. O dólar canadense atingiu o menor nível em mais de um ano em relação à moeda americana, após comentários do presidente do Banco do Canadá (BoC, na sigla em inglês), Stephen Poloz. De acordo com o dirigente, as tarifas americanas sobre aço e alumínio importados pelos EUA seriam consideradas na próxima reunião de política monetária do banco central, em julho. No fim da tarde, o dólar subia para 1,3375 dólar canadense. Para a agência de classificação de risco Moody's, os países mais vulneráveis ao fortalecimento do dólar são Argentina, Gana, Mongólia, Paquistão, Sri Lanka, Turquia e Zâmbia. "Países com grandes déficits em conta corrente, altos pagamentos de dívidas externas e substancial endividamento do governo em moeda estrangeira estão mais expostos ao impacto de um dólar forte", disse Alastair Wilson, da Moody's. A agência apontou, ainda, que o Chile, a Colômbia, a Indonésia e a Malásia também estão expostos, mas são menos vulneráveis devido aos amortecedores financeiros e institucionais.

Estadão
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