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Dólar avança com força ante rivais e emergentes, com Fed e Washington no foco

8 nov 2018
19h25
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O dólar apresentou ganhos consistentes em relação a outras moedas principais e emergentes nesta quinta-feira, 8, na esteira da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que manteve as taxas de juros inalteradas, mas sinalizou futuras elevações, além de ter minimizado questões de preocupação, como a perda de fôlego dos investimentos das empresas. O cenário de alta generalizada da moeda americana se deu, ainda, em meio à possibilidade de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consiga aprovar um plano de investimentos em infraestrutur, que conte com apoio dos democratas.

Próximo ao horário de fechamento das bolsas em Nova York, o dólar subia para 113,99 ienes; o euro cedia para US$ 1,1364; e a libra recuava para US$ 1,3062. Entre as emergentes, o dólar subia para 20,1774 pesos mexicanos e avançava para 66,944 rublos russos. Já o índice DXY, que mede a divisa americana contra uma cesta de outras seis moedas fortes, encerrou o dia em alta de 0,75%, para 96,724 pontos.

Sem surpreender os mercados, o Fed manteve a taxa dos Fed funds inalterada na faixa entre 2,00% e 2,25%. Contudo, no comunicado que seguiu a decisão, o banco central continuou a apontar que o crescimento da atividade econômica se dá em ritmo "forte" nos EUA. Além disso, "embora houvesse o reconhecimento por parte do Fed de que o investimento empresarial havia perdido fôlego, foi apontado que isso partia de um 'ritmo acelerado' no início do ano. Assim, não parece que a desaceleração do investimento no terceiro trimestre seja uma preocupação para os dirigentes", afirmou o economista Andrew Grantham, do banco canadense CIBC.

Nesse sentido, a reunião do Fed apresentou aos mercados um desfecho "hawkish". No entanto, para os analistas do Bank of America Merrill Lynch, novidades sobre o ritmo de aperto a ser empregado pelo banco central devem ser desvendadas na ata da reunião e em um discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, marcado para 14 de novembro. "Teremos de aguardar a ata, que será divulgada em três semanas. O documento deve revelar uma discussão sobre possíveis mudanças no quadro da política monetária e esperamos um debate contínuo sobre como orientar a taxa neutra e como se comunicar quando a política se tornar restritiva", apontou o BofA.

No âmbito da política em Washington, os agentes digeriram a possibilidade de novos estímulos à economia, mesmo diante da vitória democrata na Câmara dos Representantes, após Trump e a líder democrata Nancy Pelosi indicarem que podem trabalhar em conjunto para a aprovação de novos investimentos em infraestrutura, o que apoiaria ainda mais a economia americana. "A vida continua depois das eleições nos Estados Unidos e o Fed prosseguirá com os aumentos nas taxas de juros", como deve ser sinalizado na reunião desta quinta, afirmou a diretora de estratégia de câmbio da BK Asset Management, Kathy Lien. Para ela, Trump e os deputados democratas podem ter uma atitude mais colaborativa. "A reação dos mercados reforça as expectativas de aperto do Fed em dezembro e explica a resiliência do dólar."

Além do Fed e de Washington, outras instituições chamaram a atenção dos investidores. A agência de classificação de risco Moody's apontou que espera uma desaceleração do crescimento econômico global de 3,3% em 2017-2018 para "um pouco menos de" 2,9% em 2019-2020. A Moody's citou riscos no comércio e um efeito adverso não somente para EUA e China, mas também para economias abertas como Japão, Coreia do Sul e Alemanha. A Moody's alertou, ainda, que a retirada da acomodação da política monetária pelos bancos centrais deve continuar a gerar efeitos secundários e elevar a volatilidade nos mercados financeiros.

Também nesta quinta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do continente europeu em 2018 de 2,6% para 2,3% e, em 2019, de 2,2% para 1,9%. Quanto à zona do euro, a União Europeia manteve a projeção de crescimento este ano em 2,1% e cortou a estimativa do próximo ano de 2,0% para 1,9%. Além disso, a UE elevou a projeção de déficit fiscal da Itália em 2019 de 1,7% para 2,9%, acima da meta de 2,4% do governo italiano. O primeiro-ministro Giuseppe Conte afirmou que a projeção do bloco "subestima o impacto positivo da nossa manobra econômica e de nossas reformas estruturais".

Estadão Conteúdo

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