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Bolsa fecha com alta de 1,9% e retoma os 100 mil pontos; dólar vai a R$ 5,61

Bom desempenho é atribuído à expectativa em torno de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos, que os investidores esperam sair ainda nesta terça

20 out 2020
09h20
atualizado às 18h18
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Em um dia particularmente favorável para o mercado brasileiro, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou no maior nível desde 9 de setembro, com forte de alta de 1,91%, aos 100.539,83 pontos nesta terça-feira, 20, após a possibilidade de que o governo americano finalmente consiga passar um novo pacote de estímulos fiscais. A tensão por um acordo, no entanto, pesou no dólar, que encerrou com alta de 0,18%, a R$ 5,6133, após operar em queda por boa parte da sessão.

Nesta terça, a presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, manteve acesa a expectativa por novos estímulos. "Se quisermos isso pronto até o dia da eleição, temos de avançar nesta semana. Precisamos colocar mais dinheiro no bolso dos americanos, e trabalho por isso", disse em entrevista à Bloomberg.No final da tarde de hoje, Pelosi voltou a se reunir com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin para acertar alguns detalhes que podem deixar o caminho mais pavimentado o caminho para um acordo. Em resposta, Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com ganhos de 0,40%, 0,47% e 0,33%.

Na B3, o Ibovespa renovou máxima perto do fechamento, resistindo à desaceleração em Nova York na hora final, em avanço que se manteve bem distribuído por empresas e setores, com número relativamente restrito de ações da carteira teórica em baixa no encerramento, como Totvs, com 1,07%, Rumo, com 1,02% e Gol, com 0,95%. No lado oposto do índice, Eztec subiu 5,63%, BTG avançou 5,53% e CSN subiu 5,19%.

Destaque também para as ações do Banco Brasil, com alta de 4,61% e de Petrobrás ON e PN, com ganhos de 3,43% e 3,38% cada, em um dia favorável para o petróleo no exterior. Hoje, o WTI para dezembro avançou 1,56%, a US$ 41,70, enquanto o contrato do Brent para o mesmo mês subiu 1,27%, a US$ 43,16 o barril. Com os resultados de hoje, a Bolsa avança 2,27% na semana e ganha 6,28% no mês, mas ainda cede 13,06% no ano. O giro da sessão totalizou R$ 25,3 bilhões.

Parte dos analistas considera que, acima dos 100 mil pontos, a inclinação por compras tende a se acentuar na B3, apesar de fatores de incerteza que devem se estender ao próximo mês, como a definição da eleição nos EUA e, aqui, sobre o Renda Cidadã. Na falta de definições imediatas, o mercado foca o curto prazo, com a relativa moderação da percepção de risco refletindo ambiente político e fiscal um pouco mais calmo no Brasil, e a expectativa positiva, no exterior, quanto ao avanço do novo pacote fiscal nos EUA.

"O mercado já está colocando no preço que o pacote vai sair - e, se não sair logo, pode ser que amanhã já venha alguma realização. Se vier mesmo o pacote, o Ibovespa deve buscar os 101,3 mil pontos e, depois, a resistência mais importante, de 102,4 mil, onde pode ocorrer realização mais forte, redirecionando o índice para os 99 mil", diz Rodrigo Barreto, analista gráfico na Necton.

Já para Lucas Collazo, analista da Rico Investimentos, o avanço do coronavírus nos países europeus vai continuar a se traduzir em volatilidade para o Ibovespa no curtíssimo prazo, embora a perspectiva mais longa para o índice, em horizonte de cinco anos, permaneça positiva, com ganhos que podem ficar em média de até 13% ao ano, no cenário mais favorável. "A segunda onda na Europa é motivo de cautela, enquanto outros países, como o Brasil, ainda estão no primeiro ciclo da pandemia. A depender de como evoluir, causa preocupação quanto a novos fechamentos (lockdown)", diz.

Câmbio

O dólar operou boa parte da tarde em queda, por causa da expectativa pelo pacote de estímulo dos Estados Unidos. Hoje, a moeda americana chegou a cair a R$ 5,54, mas o movimento perdeu fôlego perto do fechamento e a divisa passou a subir, com o clima de cautela quando começou o encontro entre Nancy Pelosi e Steven Mnuchin, pouco depois das 16 horas (de Brasília), para tentar acertar os detalhes finais do pacote trilionário. Também ajudou a retirar pressão do câmbio mais cedo a nova rodada de declarações de compromisso fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu privatizações e não aumentar a carga tributária do Brasil, além de respeitar o teto de gastos.

Com a chance de um acordo, o DXY, índice que mede o comportamento da divisa americana ante moedas principais, chegou a cair abaixo dos 93 pontos na mínima do dia, voltando ao menor nível desde o dia 12. Como destacam os analistas do Danske Bank, pelo clima no mercado, os investidores assumiram que um novo pacote de estímulos pode ser definido ainda hoje. "Os investidores permaneceram otimistas com a perspectiva de algum tipo de acordo entre a Casa Branca e Pelosi, que force o Senado a aprová-lo", avalia o diretor de moedas da gestora americana BK Asset Management, Boris Schlossberg.

No noticiário doméstico, Guedes falou da possibilidade de privatizar a Caixa, além de afirmar que o governo não vai abandonar o teto. Apesar de Guedes não anunciar novas medidas ou planos concretos, as declarações desde ontem ajudaram a fortalecer o real, ressaltam os estrategistas em Nova York do Citigroup. "Em linhas gerais, o fluxo de notícias de Brasília tem sido mais leve recentemente", observam os analistas do banco americano, ressaltando que o presidente Jair Bolsonaro também tem dado declarações apoiando a responsabilidade fiscal.

O volume de negócios melhorou em relação a última segunda-feira, 19, com pouco mais de US$ 15 bilhões. Ainda hoje, o dólar para novembro fechou com baixa de 0,05%, a R$ 5,6090./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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