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Empresas investem em universidade e escola própria para formar profissionais

Carência de mão de obra especializada leva empregadores a criar instituições de ensino, replicando uma estratégia bem-sucedida em países como os EUA e a Alemanha

4 jul 2022 - 05h07
(atualizado às 10h17)
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A escassez de mão de obra em algumas áreas, como a de tecnologia, tem levado grandes empresas a apostar numa nova estratégia para formar seus profissionais de acordo com suas necessidades. Seguindo uma tendência bem-sucedida nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria, elas investem em iniciativas próprias de educação, como faculdades ou escolas técnicas, certificadas pelo Ministério da Educação (MEC). Na lista de companhias que aderiram a esse conceito estão o Hospital Israelita Albert Einstein, BTG, Weg e XP, que lançou na semana passada a Faculdade XP.

Foto: iStock

O objetivo é criar programas de formação que integram o aprendizado ao trabalho, na tentativa de ampliar a qualificação profissional e atrair talentos. Esse movimento é crescente e tem nome, Employer U ou employer university (na tradução livre, universidade conectada ao empregador). Sua origem converge, porém, com o conceito de educação corporativa à medida que o ensino entra para o leque de benefícios das empresas e figura entre os compromissos ESG (na sigla em inglês, princípios ambientais, sociais e de governança).

Enquanto os empregadores capacitam pessoas já integradas à sua cultura organizacional, os alunos colocam em prática o que aprendem em sala de aula e têm acesso mais cedo ao mercado de trabalho. Foi o que ocorreu com Kaymon de Paula Rodrigues Silva, de 19 anos, que conquistou seu primeiro emprego em maio, após integrar a turma inicial do ensino médio integrado à Escola Técnica de Enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein.

Quando completou o terceiro ano do curso, em 2021, o jovem iniciou estágio em unidades administradas pelo Einstein. Hoje, formado e registrado no Conselho Regional de Enfermagem (Coren), é funcionário do centro cirúrgico, no bairro do Morumbi. "Pretendo cursar medicina. Me vejo em vantagem, porque já sei como é atuar dentro de um hospital", destaca.

Entre os formandos do Curso Técnico de Enfermagem do Ensino Einstein em 2020, 84% foram empregados até o final do ano passado, sendo 80% deles contratados internamente nos locais onde a organização faz a gestão. Ao todo, o sistema administra 27 unidades públicas e 13 no setor privado, onde os alunos dos cursos de formação profissional têm estágios garantidos pela escola.

"Num ensino integrado ao empregador, as necessidades das empresas e competências, como habilidades comportamentais (soft skills), são valorizadas. O profissional se forma dentro da cultura da instituição ou do universo em que vai ser inserido, o que aumenta a empregabilidade", diz Blaidi Sant'Anna, gerente do ensino médio e técnico do Ensino Einstein.

Para esse ano, o sistema vai dobrar a oferta de cursos de graduação. Além das formações em Medicina, Enfermagem e Fisioterapia, entram na grade Administração de Organizações de Saúde, Engenharia Biomédica e Odontologia. "Não é uma competição com universidades e, sim, uma contribuição do setor que emprega para a educação. Formamos pessoas para o mercado", comenta Sant'Anna.

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Estadão
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