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Bolsonaro agradece aprovação de PEC que turbina benefícios sociais

Presidente também afirmou que 'não falta dinheiro para atender à população' e tentou faturar politicamente sobre a redução do preço dos combustíveis via desoneração

1 jul 2022 - 13h44
(atualizado às 17h26)
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Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Foto: Adriano Machado / Reuters

O presidente Jair Bolsonaro agradeceu os senadores que aprovaram na quinta-feira, 30, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que turbina os benefícios sociais em ano eleitoral. "Quero cumprimentar senadores. Ontem o Senado majorou valor do Auxílio Brasil", afirmou o presidente em Feira de Santana, Bahia.

O Nordeste é a região do País onde Bolsonaro marca a maior distância em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, a diferença é de 30 pontos porcentuais: 48% a 18%.

Inclusive com apoio da oposição, o Senado deu aval à PEC que, sob a justificativa de amenizar o impacto da alta dos combustíveis sobre a população, contorna a lei eleitoral e dá novo impulso à campanha à reeleição de Bolsonaro. Foi preciso estabelecer emergência pública para permitir a criação de novos benefícios sociais a menos de 100 dias das eleições.

O texto, que ainda precisa tramitar na Câmara, sobe o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 a R$ 600; cria um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros; dobra o vale-gás a famílias de baixa renda; garante a gratuidade a passageiros idosos nos transportes públicos urbanos e metropolitanos; compensa Estados por reduções nas alíquotas do ICMS sobre o etanol; aumenta recursos do Alimenta Brasil; e cria benefício a taxistas. O impacto fiscal é de R$ 41,2 bilhões - retirados do teto de gastos. O único senador a votar contra a medida foi José Serra (PSDB-SP).

No pronunciamento em Feira de Santana, Bolsonaro afirmou que "não falta dinheiro para atender à população" e tentou faturar politicamente sobre a redução do preço dos combustíveis via desoneração. "Estão gostando da baixa dos combustíveis? Há pouco me culpavam pelo aumento, quando baixa muitos se calam. É um trabalho nosso. Começou com o governo federal abrindo mão dos impostos", declarou o presidente. O "QG da reeleição" vê na alta dos combustíveis o principal obstáculo para o crescimento nas pesquisas.

Bolsonaro voltou a dizer que governadores resistentes a reduzir o ICMS dos combustíveis por conta da sangria nos cofres públicos. "Infelizmente, os nove governadores do Nordeste entraram na Justiça contra a redução dos impostos estaduais. Não se preocupam com a população, querem extorquir o contribuinte brasileiro".

O tom conversador não ficou de fora do discurso. "Somos contra o aborto, a liberação das drogas, a ideologia de gênero, somos favoráveis ao armamento do cidadão de bem", disse ainda Bolsonaro, que estava acompanhado do ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), pré-candidato ao governo da Bahia.

Estadão
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