Pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e presidente do Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP), Carlos Nobre, espera que o Congresso promova um amplo debate sobre o Projeto-de-Lei n.º 6424 e que a sua tramitação seja acompanhada pela sociedade. "Não creio que esse projeto passe. Em 2006, tentou-se mexer na legislação. Foram mais de 15 milhões de e-mails protestando. Não creio que o texto tenha sustentação pública para passar."
Na opinião de Nobre, o governo tem de usar cada vez mais mecanismos como o crédito para coibir o desmatamento crescente na Amazônia. Ele entende que o desafio para os não-pecuaristas é aproveitar melhor as áreas que já foram devastadas. O pesquisador acredita que os ruralistas deveriam estar preocupados é com a recuperação das áreas já degradadas. "Não fazem isso porque isso é mais caro do que devastar. Os juros para a agricultura e pecuária amazônica são os mais baixos do Brasil", explica. "Por que não dar crédito só para quem apresentar relatório ambiental?"
O pesquisador lembra que a agricultura amazônica é toda subsidiada. Ele entende que o subsídio poderia ser dado para recuperar áreas degradadas. "Não é preciso desmatar mais. O setor deveria era usar melhor o solo. Tanto a pecuária quanto a agricultura têm baixíssima produtividade. O modelo agrícola da região é insustentável. Nós somos, de longe, o primeiro país do mundo em subutilização de área agrícola."
Nobre entende que a Embrapa poderia receber recursos para desenvolver pesquisas voltadas para a recuperação de áreas degradadas. "Todo mundo diz que a saída não é a expansão de área com a derrubada da floresta. Mas, em seguida, os mesmos grupos tentam mudar a lei que define Reserva Legal na região. É lamentável."