O deputado José Sarney Filho (PV-MA) afirma que o Projeto de Lei 6424, de dezembro de 2005, alterado na Comissão de Agricultura da Câmara é, no fundo, "uma tentativa de mexer na Reserva Legal e burlar a legislação que permite explorar só 20% das propriedades situadas na Amazônia". O texto reduz a Reserva Legal de 80% para 50% e "coloca em risco o funcionamento do bioma ao permitir o plantio de espécies exóticas na recomposição de até 30% da Reserva Legal. Inclusive palmácias, oleagionas". O deputado lembra que a Reserva Legal existe para manter o funcionamento do bioma. "Ao permitir, por exemplo, o plantio de espécies para a produção de biocombustível, você está contrariando a idéia do legislador que instituiu a área como de preservação do bioma."
Outro ponto criticado pelo deputado foi a ampliação da anistia, de 1996 para 2006, para quem não respeitou a lei e desmatou além do limite de 20%. "Não podemos permitir que se legalize a ilegalidade. São essas ações que, se bem-sucedidas, como já ocorreu em outras situações no governo Lula, desmoralizam o arcabouço jurídico do nosso País."
O deputado não acredita que o projeto seja votado pelo plenário da Câmara neste ano. "Por conta das medidas provisórias do Executivo, há um espaço menor para apreciação de iniciativas de parlamentares."
Para Sarney Filho, há um setor do agronegócio que é muito reacionário. "É preciso que o governo federal assuma uma visão sobre a Amazônia. Se ele quer um bioma que preste serviço à humanidade (retenção de CO2, riqueza genética, biodiversidade etc.), tem de implementar políticas agressivas tanto no plano interno quanto no externo."
Ele entende que o governo federal tem de chamar para si a realização do Zoneamento Econômico e Ecológico. Ao realizar esse trabalho, pode retirar toda a pressão e carga política que existiria se fosse realizado pelos Estados. "A partir do zoneamento, você pode estabelecer o que é fundamental e o que não é. E aí discutir também o que não é. Acho que, enquanto não resolve a questão do zoneamento, deve defender desmatamento zero, para não permitir mais danos ao bioma."