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Desconforto com fala de Bolsonaro ainda pesa e juros sobem

A desidratação do texto da reforma da Previdência colocou a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, numa saia-justa.

1 mar 2019
18h55
atualizado às 20h22
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O desconforto com as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a Previdência, dadas quinta-feira, em encontro com jornalistas, continuou pesando sobre a curva de juros nesta sexta-feira, 1, em meio ainda ao avanço do dólar. Com isso, persistiu no mercado a postura defensiva, em especial às vésperas do feriado prolongado de carnaval. O mercado local estará fechado na segunda e terça-feira, enquanto no exterior as bolsas funcionam normalmente. As taxas de curto e médio prazos fecharam estáveis e as longas, em alta moderada.

No fechamento das 18h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 estava em 6,465%, de 6,485% na quinta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 repetiu o ajuste de quinta, ao encerrar em 7,15%. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 8,252% para 8,30% e a do DI para janeiro de 2025, de 8,782% para 8,83%. A semana termina com os juros em patamares bem acima dos quais haviam encerrado a semana passada, no caso da ponta longa, mais 10 pontos-base.

O Presidente da República brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL)
O Presidente da República brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL)
Foto: MATEUS BONOMI/AGIF / Estadão Conteúdo

"Ainda estamos colhendo efeitos residuais das declarações do presidente, que destoam da estratégia da equipe econômica", afirmou o diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga.

Bolsonaro admitiu que aceita reduzir de 62 anos para 60 anos a idade mínima de aposentadoria das mulheres, mudar o benefício de assistência social para idosos miseráveis e as regras de pensão por morte. A desidratação do texto colocou a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, numa saia-justa porque as negociações na prática ainda nem começaram.

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que Bolsonaro foi "mal interpretado". Para Braga, o efeito sobre as taxas não é maior justamente porque, por várias vezes, o governo, após impactos negativos de ações e declarações, tem recuado. "O governo tem voltado atrás e reconhecido erros, estão aprendendo a ser governo. É um aprendizado", disse.

Estadão
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