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Dados ruins da indústria elevam pessimismo sobre PIB e juros fecham em baixa

3 mai 2019
18h26
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A queda dos juros futuros, já vista pela manhã desta sexta-feira, 3, após os dados ruins da produção industrial, se intensificou à tarde, com as principais taxas renovando mínimas, em meio ao aumento do pessimismo sobre o PIB do primeiro trimestre ao mesmo tempo em que o dólar ampliava as perdas ante outras moedas no exterior. Apesar disso, o crescimento das preocupações com a atividade doméstica ainda não se traduz em apostas de corte para a Selic na curva a termo, que segue apontando manutenção da taxa em 6,50% tanto para o próximo Copom, na semana que vem, quanto para o fim de 2019.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a sessão regular em 6,470%, de 6,511% na quinta no ajuste e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,142% no ajuste para 7,06%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,15%, de 8,242%. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 8,68%, de 8,762% no ajuste de quinta. Com isso, as principais taxas terminaram a semana em níveis bem abaixo dos registrados na última sexta-feira.

A percepção de que os dados da indústria (PIM) poderiam ser piores do que o esperado na quinta mesmo já começava a influenciar o mercado, com as taxas ampliando a queda na etapa estendida. Nesta sexta o movimento ganhou força. "O assunto do dia é a PIM puxando mais revisões do PIB no primeiro trimestre para baixo e elevando as chances de um número negativo. E o segundo trimestre não começou com cara boa", avaliou o gestor de renda fixa da Absolute Investimentos Mauricio Patini.

A produção industrial caiu 1,3% em março ante fevereiro, variação que representava o piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, cuja mediana era de -0,80%. Foi o pior resultado na margem desde setembro (-2,1%). No primeiro trimestre, houve retração de 0,7% ante o quarto trimestre de 2018. Depois da PIM, o Itaú reviu sua projeção para o PIB do primeiro trimestre de -0,1% para -0,2% e o Bradesco admitiu que sua previsão de -0,1% agora tem um "um viés baixista".

A poucos dias da reunião do Copom, o quadro para a atividade piorou com a PIM, mas, ainda assim, o mercado não embarca em apostas de corte de juros, seja pelas pressões de inflação no curto prazo, seja pelas incertezas sobre a reforma da Previdência, seja pelo discurso do Banco Central. Na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, destacou que a missão da instituição não é o crescimento econômico, mas sim o controle da inflação. "Cálculos da Quantitas Asset apontam na curva 99% de probabilidade de Selic estável em 6,50% e 1% de chance de alta na reunião da semana que vem. Para o fim do ano, há precificação de alta de 14 pontos-base.

O exterior também contribuiu para o alívio de prêmios, com o apetite por ativos de risco estimulado pela leitura conjugada do relatório de emprego norte-americano e outros dados econômicos nos Estados Unidos. O dólar perdeu força ante várias moedas, entre emergentes e divisas fortes. E à tarde o índice DXY renovou mínimas ante comentários de dirigentes do Federal Reserve sobre a inflação.

Estadão
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