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Copom mantém taxa Selic em 10,50% ao ano e interrompe ciclo de sete cortes consecutivos

19 jun 2024 - 19h33
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Foto: SelicCopom/Divulgação
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Foto: Suno

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou nesta quarta (19) a manutenção da Selic em 10,50% ao ano, interrompendo um ciclo de sete cortes consecutivos na taxa. No comunicado, o comitê indicou que não deve haver novas reduções no curto prazo.

A decisão do Copom de manter a Selic já era esperada por boa parte do mercado, que via fatores como risco fiscal, inflação e o alto patamar dos juros nos Estados Unidos obrigando o Banco Central brasileiro a cessar os cortes por aqui.

A manutenção da Selic foi unanimidade entre o colegiado do BC. Ou seja: todos os membros votaram a favor de não realizar uma nova redução nos juros. Na reunião passada, a "racha", ou falta de consenso entre os membros, foi um dos fatores que preocuparam o mercado.

No comunicado do Copom, o comitê afirma que o ambiente externo segue adverso, em linha com a incerteza elevada e persistente sobre a flexibilização da política monetária nos Estados Unidos e as dúvidas sobre a velocidade da queda sustentada da inflação em outros países.

"Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes", afirma a autarquia.

Em relação ao cenário doméstico, o Copom segue enxergando um dinamismo acima do esperado nos indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho. Segundo o BC, a inflação cheia ao consumidor vem apresentando trajetória de desinflação, ao passo que medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta nas divulgações mais recentes.

Questões fiscais impactam política monetária

O quadro fiscal brasileiro é um dos entraves mais citados pelos analistas em relação aos possíveis novos cortes de juros, e o tema também foi abordado pelo Copom.

"O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária", diz o comunicado.

Projeções de inflação e riscos

As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência estão em 4% em 2024 e 3,4% em 2025. Em um cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo do horizonte relevante, as projeções do comitê ficam em 4% para 2024 e 3,1% para 2025.

O Copom destaca que há fatores de risco em ambas as direções em seus cenários para inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se:

  • Maior persistência das pressões inflacionárias globais
  • Maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado.

Entre os riscos de baixa, o comitê ressalta:

  • Desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada
  • Impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

Quais serão os próximos passos do Copom?

Levando em conta os fatores citados acima, o Comitê de Política Monetária do Banco Central entendeu que a manutenção da Selic no atual patamar de 10,50% ao ano é uma decisão compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2025.

"A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, ampliação da desancoragem das expectativas de inflação e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária", diz o comunicado.

O comitê deu, ainda, uma pista sobre os seus próximos passos, afirmando que "a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas". Ou seja, novos cortes na Selic não estão entre as expectativas do Copom no curto prazo.

Leia o comunicado do Copom sobre a manutenção da Selic

O ambiente externo mantém-se adverso, em função da incerteza elevada e persistente sobre a flexibilização da política monetária nos Estados Unidos e quanto à velocidade com que se observará a queda da inflação de forma sustentada em diversos países. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo maior do que o esperado. A inflação cheia ao consumidor tem apresentado trajetória de desinflação, enquanto medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes.

As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,0% e 3,8%, respectivamente.

As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência* situam-se em 4,0% em 2024 e 3,4% em 2025. As projeções para a inflação de preços administrados são de 4,4% em 2024 e 4,0% em 2025. Em cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo do horizonte relevante, as projeções de inflação situam-se em 4,0% para 2024 e 3,1% para 2025.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.  O Comitê avalia que as conjunturas doméstica e internacional seguem mais incertas, exigindo maior cautela na condução da política monetária.

O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária. 

Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 10,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2025. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, ampliação da desancoragem das expectativas de inflação e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária.

O Comitê, unanimemente, optou por interromper o ciclo de queda de juros, destacando que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas demandam maior cautela. Ressalta, ademais, que a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê se manterá vigilante e relembra, como usual, que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Suno
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