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Rallye, controladora do Casino, obtém proteção contra credores

23 mai 2019
15h44
atualizado às 16h57
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A controladora do varejista francês Casino, Rallye, foi colocada sob proteção contra credores por pelo menos seis meses por um tribunal de Paris nesta quinta-feira, informou a empresa.

Supermercado da rede Casino em Nantes, França 
20/07/2017
REUTERS/Stephane Mahe
Supermercado da rede Casino em Nantes, França 20/07/2017 REUTERS/Stephane Mahe
Foto: Reuters

O tribunal colocou sob proteção a Rallye e suas subsidiárias Cobivia e HMB, bem como as controladoras da holding Foncière Euris, Finatis e Euris.

O Casino controla no Brasil o GPA, dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra e por sua vez controlador da rede de móveis e eletrodomésticos Via Varejo.

As ações do GPA que chegaram a ampliar queda cerca de 3 por cento logo após o anúncio nesta quinta-feira, recuavam 1,1 por cento perto do final do pregão. Os papéis da Via Varejo recuavam 2,55 por cento, enquanto o Ibovespa tinha desvalorização de 0,6 por cento.

"Após persistentes e maciços ataques especulativos contra o grupo, as companhias sob os procedimentos de salvaguarda vão, dentro do arcabouço destes procedimentos, assegurar a integridade do grupo e melhorar seus perfis de dívida em um ambiente estável", disse a Rallye em comunicado.

As ações de Casino e Rallye acumulam queda de cerca de 20 por cento até agora em 2019 e o recuo tem chamado atenção de alguns fundos de hedge.

O Casino afirmou que a proteção concedida à Rallye não traz impactos para suas operações.

"O Casino foi informado pelo seu acionista de referência, Rallye, sobre o lançamento de procedimento de salvaguarda relacionado especificamente à Rallye e suas subsidiárias", afirmou o varejista francês em comunicado.

"Estes procedimentos não estão relacionados ao grupo Casino, nem a suas operações ou funcionários e não impactam a execução em andamento de seu plano estratégico", acrescentou a companhia.

Os procedimentos de salvaguarda, que podem durar até 18 meses, têm como objetivo proteger companhias que não estão insolventes em termos de fluxo de caixa, dando a elas tempo para readequarem seus perfis de dívida.

O mecanismo suspende, mediante aprovação de um plano de salvaguarda, o pagamento de dívidas anteriores à abertura dos procedimentos.

O Casino é o principal ativo da Rallye, que tem participação de 51,7 por cento na rede de varejo. A Rallye, é controlada por Fonciere Euris, Finatis e Euris, grupos que estão todos nas mãos do presidente de conselho de administração e presidente-executivo do Casino, Jean-Charles Naouri.

O Casino, cuja nota de crédito foi reduzida para a condição de junk pela Standard & Poor's em março e que também teve redução pela Moody's em abril, embarcou num ciclo de venda de ativos para reduzir dívida e tentar reduzir preocupações do mercado sobre suas finanças.

Naouri, que começou sua carreira no governo francês, incluindo no Ministério das Finanças, criou seu próprio fundo de investimento Euris em 1987. Ele então passou a atuar no setor de varejo por meio da Rallye e se tornou presidente-executivo do Casino em 2005.

A Naouri é creditada a transformação do Casino em uma potência no varejo de mercados emergentes, principalmente depois da tomada de controle do GPA em 2012. O preço para isso, entretanto, foi aumento da dívida. A dívida líquida do Casino era de 2,7 bilhões de euros no fim de 2018, enquanto a da Rallye somava 2,9 bilhões. O valor de mercado do Casino era de 3,3 bilhões de euros.

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