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Contas favoráveis, apesar da queda dos investimentos

É possível que a queda expressiva dos investimentos em junho reflita em alguma medida as incertezas sobre o futuro do País

29 jul 2021 03h10
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Demanda externa que estimula as exportações e preços internacionais que impulsionam resultados positivos da balança comercial têm sido mais que suficientes para assegurar uma situação favorável das contas externas do País. Às voltas com problemas fiscais para os quais não se vislumbram respostas consistentes no horizonte, uma recuperação econômica heterogênea - alguns segmentos mostram resultados exuberantes, outros ainda não conseguiram se recuperar das perdas na pandemia - e o desemprego em níveis muito altos, o País desfruta de uma situação confortável quanto ao balanço de pagamentos.

Mas os resultados de junho mostram algumas oscilações. As transações correntes do balanço de pagamentos - que incluem os negócios do País com o exterior, como o resultado da balança comercial de mercadorias e de serviços, as remessas de lucros e os dividendos e juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais - registraram superávit de US$ 2,791 bilhões no mês, de acordo com relatório do Banco Central (BC).

É o melhor resultado para junho desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. Mesmo assim, o resultado ficou abaixo do que estava sendo previsto pela própria instituição, de US$ 6,5 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento de Estatística do BC, Fernando Rocha, a redução se deveu à contabilização, no mês, de importações de bens destinados à exploração de petróleo. No acumulado de 12 meses, as transações correntes mostram déficit de US$ 19,637 bilhões, valor equivalente a 1,27% do PIB brasileiro. Em maio, a porcentagem era idêntica.

O dado que mais surpreendeu no resultado das contas externas em junho foi o dos investimentos diretos no País (IDP), que somaram US$ 174 milhões. É um resultado muito abaixo do que o esperado pelo próprio BC, de US$ 2,5 bilhões. Um ano antes, o IDP alcançara US$ 5,165 bilhões.

É possível que a queda expressiva em junho reflita em alguma medida as incertezas sobre o futuro do País. Mas o chefe do Departamento de Estatísticas do BC aponta outros fatores para o baixo ingresso de IDP em junho: a conta de lucros reinvestidos foi negativa e as operações intercompanhias igualmente registraram resultado negativo.

Para julho, o BC estima que o IDP alcance US$ 4,7 bilhões; para o ano, US$ 60 bilhões.

Estadão
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