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Consumo de energia deve crescer 4,2% no ano, maior avanço desde 2013, diz CCEE

14 jan 2020
17h26
atualizado às 17h29
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O consumo de eletricidade no Brasil deve crescer 4,2% em 2020 na comparação com o ano passado, em meio a uma recuperação mais robusta da economia, o que representaria a maior alta percentual desde 2013, disse à Reuters o presidente do conselho da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rui Altieri.

Torres e linhas de transmissão de energia em Brasília 
29/08/2018
REUTERS/Ueslei Marcelino
Torres e linhas de transmissão de energia em Brasília 29/08/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

A expectativa mais otimista sobre a demanda por energia, um importante indicador da atividade econômica, vem em meio a projeções de melhor desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e após números já vistos como positivos em 2019.

O consumo de energia fechou o ano passado com alta de 2,1% frente a 2018, segundo a CCEE, o que já marcou o maior avanço desde 2014, quando houve expansão de 2,28%, de acordo com dados compilados pela Reuters.

"Já é um resultado bastante animador, pela primeira vez nos últimos anos temos crescimento acima de 2%. E o mais importante é que há uma tendência, a partir do segundo semestre (de alta)... o consumo começou realmente a reagir ao longo de 2019", afirmou Altieri em entrevista por telefone.

O Brasil enfrentou entre meados de 2014 e o final de 2016 uma das mais longas e intensas recessões de sua história, de acordo com o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Nesse período, o consumo de energia apresentou retração de 0,6% em 2015 e cresceu apenas 0,3% em 2016. Em 2017, com o fim da crise, houve expansão de 1,3%, seguida por uma alta de 1,5% em 2018, mostraram dados da CCEE.

As projeções do órgão do setor elétrico para 2020 levaram em consideração as mais recentes estimativas econômicas, disse Altieri, sem detalhar. O governo brasileiro elevou nesta terça-feira a previsão de crescimento do PIB para 2,4%, de 2,32% anteriormente.

"Não dá para identificar um único segmento, diversos segmentos estão reagindo paulatinamente. A partir do segundo semestre já notamos uma recuperação", disse o presidente da CCEE, ao ser questionado sobre o desempenho por setores da economia.

O ano de 2013, último em que o uso de energia cresceu a um ritmo maior que o esperado para este ano, teve expansão de 3% do PIB. Naquela ocasião ainda entrou em vigor um controverso pacote de medidas da então presidente Dilma Rousseff para reduzir as contas de luz em cerca de 20%.

LIVRE X REGULADO

Entre empresas que operam no chamado mercado livre de eletricidade, no qual grandes consumidores podem negociar diretamente o suprimento de energia com geradores e comercializadores, houve retração em 2019 apenas no uso de energia pelas indústrias de extração de minerais metálicos (-8,3%), química (-6%) e metalurgia e produtos de metal (-1,2%).

"O ponto de destaque negativo é o setor de mineração, mas muito em função do problema da Vale", disse Altieri.

Maior produtora global de minério de ferro, a Vale teve suas atividades impactadas pelo rompimento no final de janeiro passado de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, em desastre que deixou mais de 255 mortos e gerou um rastro de destruição na região.

O rompimento também teve como consequência um aumento nas preocupações com a segurança de barragens, o que levou à suspensão da operação em outros ativos da mineradora.

Já as maiores expansões no consumo no mercado livre foram registradas nos segmentos de transporte (+18,4%), bebidas (+14,5%) e saneamento (+11%).

No mercado livre em geral, houve crescimento de 2,4% no consumo de energia.

Já os clientes tradicionais, atendidos por distribuidoras de energia no chamado mercado regulado, tiveram uso de eletricidade 2% maior, o melhor desempenho desde ao menos 2014, segundo os dados da CCEE.

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