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Com foco no Fed e na PEC emergencial, Bolsa fecha em alta de 1,35%

4 mar 2021
18h47
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O Ibovespa reagiu positivamente à aprovação em segundo turno no Senado da PEC Emergencial, que contribui para alguma clareza sobre a orientação do fiscal, mas a tarde bem negativa em Nova York, na qual os comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, não contiveram a progressão dos yields dos Treasuries, levou o índice da B3 a moderar a recuperação vista mais cedo. Ao fim, conseguiu sustentar alta de 1,35%, aos 112.690,17 pontos tendo oscilado entre mínima de 111.163,12 e máxima de 114.433,38 pontos, com giro financeiro reforçado, a R$ 52,1 bilhões. Nesta primeira semana de março, o Ibovespa avança 2,41%, segurando as perdas do ano a 5,32%.

O desempenho na B3 foi amparado em boa progressão das ações de bancos (Bradesco PN +3,87%, BB ON +3,62%) e de Petrobras (ON +4,29%, PN +4,86%), em dia de ganhos que chegaram a superar 5% no Brent, com a decisão da Opep+ de manter os níveis de produção de março também em abril, de forma a "apoiar um reequilíbrio no mercado global de petróleo". Na ponta do Ibovespa, Cosan subiu 8,68%, à frente de Hering (+8,62%) e de Rumo (+7,36%). No lado oposto, Gol cedeu 5,02%, WEG, 4,90%, e Hapvida, 3,72%.

"Seguindo as notícias sobre o fiscal, o Ibovespa tem apresentado volatilidade impressionante no intraday, com a cautela que prevalece sobre a economia, a partir do governo. A aprovação da PEC em dois turnos no Senado dá um respiro, mas as negociações continuarão a ser acompanhadas de perto, agora na Câmara", observa Naio Ino, responsável pela mesa de trading de equities da Western Asset. Eventos recentes, sobre a governança da Petrobras e a política de preços da estatal, também suscitaram um grau maior de cautela não apenas dos investidores domésticos, mas especialmente dos estrangeiros, acrescenta Ino. "O 'overall' ainda é positivo, mas a perspectiva imediata para o mercado é marginalmente negativa, com a discussão que tem emergido sobre prêmios de risco - a tendência é de que se exija prêmio maior."

No pronunciamento desta tarde, o presidente do BC dos EUA observou que a volatilidade no mercado de Treasuries tem chamado sua atenção, mas reiterou o mantra de que o aumento da inflação no curto prazo é transitório. Em Brasília, a confirmação de que o Bolsa Família ficou dentro do teto de gastos, na PEC aprovada entre ontem e hoje pelo Senado, contribui para afastar, de momento, o pior cenário antecipado pelo mercado, de descontrole das contas públicas em benefício de uma guinada populista, não comprometida com a responsabilidade fiscal. "Tudo que envolve contabilidade criativa para financiar gastos públicos é motivo para uma resposta negativa do mercado", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Lá fora, "o discurso do presidente do Fed não sinaliza qualquer aumento de juros para agora, mas o mercado não está de olho no momento e sim na perspectiva para a curva", diz o analista. "Ao revelar preocupação com a inflação e com os rendimentos dos Treasuries, os investidores começam a colocar na conta um aumento precoce dos juros, e isso se reflete na inclinação das T-notes de 10 anos."

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Estadão
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