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Com fiscal pior política monetária precisa ser mais apertada, mas BC não é volátil, diz Kanczuk

19 out 2021 14h03
| atualizado às 14h45
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Uma política monetária mais apertada será necessária caso o problema fiscal no Brasil piore, afirmou o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, frisando, contudo, que a autarquia não se move na velocidade do mercado.

Sede do Banco Central em Brasília
25/08/2021
REUTERS/Amanda Perobelli
Sede do Banco Central em Brasília 25/08/2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Em evento promovido pelo banco JPMorgan, ele pontuou que a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) não é volátil. Kanczuk destacou que nos últimos meses a comunicação do BC sobre riscos fiscais foi constante e não mudou, ao passo que houve muitas alterações no comportamento do mercado.

Ao ser questionado sobre a postura do BC frente à perspectiva de o Bolsa Família ser pago parcialmente fora do teto de gastos, que é considerado a principal âncora fiscal do país, Kanczuk indicou que o BC avaliará a probabilidade de o cenário com quadro fiscal pior passar a ser dominante sobre o cenário-base, ficando acima de 50%. [nL1N2RF1CL]

"Reação de política monetária à maior probabilidade de cenário de risco fiscal para nós não há dúvida que é uma política monetária mais apertada", disse.

E a abordagem será a mesma adotada na última reunião do Copom, acrescentou o diretor: calcular se com elevação de 1 ponto percentual na Selic a convergência da inflação para meta em 2022 é assegurada ou se é necessário apertar o passo para uma alta de 1,25 ponto.

"Para começar, o Banco Central não se move na velocidade do mercado", disse ele. "O Banco Central tomará seu tempo para olhar para números, dados, pensar a respeito e fazer seu próprio julgamento sobre o que vai acontecer para o fiscal e qual é o impacto de uma eventual nova situação fiscal para a projeção de inflação."

Kanczuk ressaltou que o BC toma o fiscal como uma variável exógena que é utilizada nos seus cálculos para o IPCA.

Ele ponderou que a possibilidade de um problema fiscal está sendo considerada pelo BC há muito tempo, talvez um ano. E sublinhou que, ao misturar o cenário base com cenário em que há problema fiscal, o BC já havia indicado haver assimetria altista para inflação.

O Copom se reúne nos dias 26 e 27 deste mês para sua próxima decisão sobre os juros básicos. Atualmente, a Selic está em 6,25% ao ano e as indicações do BC até aqui eram de que a taxa seria novamente elevada em 1 ponto dentro do agressivo ciclo de aperto monetário que está sendo conduzido pela levar a inflação à meta de 3,50% no ano que vem.

CÂMBIO

Sobre o câmbio, Kanczuk afirmou nesta terça-feira que a autoridade monetária não irá mudar sua forma de intervenção, que é sempre motivada pelo mau funcionamento do mercado, reiterando que o BC não olha para o nível da moeda.

"Intervenção não é motivada pela perspectiva para a inflação. Intervenção é sempre motivada pelo mau funcionamento do mercado. Algumas vezes, é óbvio que há mau funcionamento e todo mundo pode ver, algumas vezes o BC tem informação melhor e vê que há algo acontecendo", afirmou.

Sobre a intervenção dos últimos dias, Kanczuk disse que o contexto foi mais confuso, pois foi tomada decisão de quanto o BC venderia ao longo de um determinado período, mas em um desses dias o real abriu mais forte, o BC vendeu dólares e isso pressionou o mercado "muito mais", levando os agentes a questionar a atuação da autoridade monetária.

"Isso não teve nada a ver, novamente, com o nível e com o preço, isso teve a ver com o mau funcionamento (do mercado)", defendeu ele, acrescentando que a política de intervenção do BC não vai mudar "de jeito nenhum".

O dólar tinha firme alta nesta terça-feira, superando 5,57 reais na máxima e colocando a moeda brasileira na lanterna global, com a má repercussão no mercado da proposta de mais gastos com benefícios sociais, potencialmente fora do teto, num dia em que o BC fez o primeiro leilão de moeda spot desde março.

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