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Dólar cai 0,77% e Bolsa sobe 0,3% com retomada econômica de EUA e China

Dados positivos reforçam a ideia de que as maiores economias do mundo estão em plena recuperação; Ibovespa teve melhor nível desde janeiro, apoiado pelos ganhos das varejistas

16 abr 2021
15h12 atualizado às 18h26
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15h12 atualizado às 18h26
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O aumento da busca por ativos de risco no exterior, estimulado por bons indicadores da economia dos Estados Unidos e da China, ajudaram no bom desempenho do mercado brasileiro nesta sexta-feira, 16, com o dólar em queda de 0,77%, a R$ 5,5848. Já a Bolsa brasileira (B3) teve alta de 0,34%, aos 121.113,93 pontos, no maior nível desde o dia 18 de janeiro. No entanto, questões domésticas, como o Orçamento de 2021, continuaram no radar dos investidores.

Hoje, o dólar engatou quarto dia seguido de queda ante o real. Nos últimos cinco dias, a moeda americana acumulou baixa de 1,6%, a maior das últimas quatro semanas, ajudada também pela entrada de fluxo externo para o Brasil, financeiro e de exportação. Com isso, a valorização do dólar no ano caiu para 7,6%, bem abaixo que foi no pior momento de 2021 até agora, em meados de março, quando chegou a subir 12%. Ainda hoje, o dólar para maio fechou em queda de 0,49%, a R$ 5,5945.

Boas notícias vindas do exterior ajudaram no resultado. Em uma semana marcada por dados positivos nos Estados Unidos, hoje foi a vez da China divulgar que seu Produto Interno Bruto (PIB) teve expansão anual de 18,3%, bem maior do que o avanço de 6,5% observado no último trimestre do ano passado, mas aquém da previsão de alta de 19,2% do The Wall Street Journal.Mesmo assim, o dado reforça a percepção de que as duas maiores economias do mundo estão em recuperação.

Em evento reservado hoje do BTG Pactual, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mostrou otimismo e sinalizou que a questão do Orçamento de 2021 será resolvida "sem rupturas", além de declarar mais de uma vez que as reformas vão andar. Lira não cravou se Bolsonaro vai sancionar o texto sem vetos, mas disse esperar que isso aconteça.

No entanto, o economista-chefe da consultoria inglesa Capital Economics para mercados emergentes, William Jackson está mais cético com o cenário para reformas no Brasil, em meio ao imbróglio do Orçamento. Qualquer que seja a solução na semana que vem para o impasse, pode ficar mais difícil e desafiador o avanço das reformas no Brasil, avalia ele. Se Jair Bolsonaro sancionar o texto como está, agrada os parlamentares, mas não o ministro da Economia, Paulo Guedes, que já pediu o veto. Se vetar, seu apoio político no Congresso recua, mas a ação será recebida com alívio pelo ministro e os técnicos da Economia.

Qualquer que seja a solução, Jackson vê o dólar a R$ 5,75 no final deste ano e chegando a R$ 6,00 ao final de 2022. O banco alemão Commerzbank também não espera que a melhora do real vista esta semana perdure muito tempo. Em meio a crescentes riscos fiscais no País, o real não deve se beneficiar no curto prazo da alta de juros pelo Banco Central e seguir com desempenho pior que seus pares emergentes ante o dólar, comentam analistas para mercados emergentes do banco,

A piora da pandemia só ajuda a turbinar o temor de piora adicional das contas fiscais, avalia o banco alemão. Além disso, há a preocupação de mais medidas populistas de Bolsonaro, especialmente com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao jogo político. A previsão do Commerzbank é de dólar a R$ 5,60 ao final de junho, R$ 5,30 em dezembro e R$ 5,00 ao final de 2022. "Está se tornando cada vez mais improvável que as reformas e consolidação fiscal sejam implementadas antes das eleições de 2022", comenta o Commerzbank.

Bolsa

O Ibovespa também se manteve em terreno positivo nesta tarde, apoiado não apenas pelo cenário positivo no exterior, mas também ajudado pelas notícias envolvenado as Lojas Renner e Hering. Assim, o Ibovespa emendou o terceiro avanço semanal e o quinto ganho diário nesta sexta-feira, em sua mais longa série positiva desde a observada no intervalo entre 23 e 27 de novembro. Na semana, o avanço foi de 2,93%. No mês, sobe 3,84% e, no ano, 1,76%.

A Bolsa também foi ajudada pelo recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano na semana, apesar das confirmações de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não vai agir tão cedo para conter a inflação, mesmo que ela suba. O bom desempenho desse ativo representa um 'risco' para os índices acionários, pois podem promover uma migração de recursos dos investidores se estiverem rendendo bem, pelo fato de serem muito mais seguros.

Já no meio da tarde, o varejo ajudou a sustentar os ganhos do índice, após rumores de fusões entre grandes nomes, como Arezzo e Hering, além de Lojas Renner e Marisa. Em resposta, o papel de Lojas Renner fechou em alta de 11,91%, enquanto Hering subiu 6,66%. O setor também foi apoiado pela reabertura do comércio no Estado de São Paulo no próximo dia 24.

Entre as ações de maior peso, Petrobrás PN e ON cederam respectivamente 0,61% e 1,18%, enquanto Vale ON subiu 0,43%. Entre as siderúrgicas, Usiminas subiu 2,71% e CSN, 2,02%. Os bancos também avançaram na sessão, com destaque para Bradesco ON e Itaú PN, com ganhos de 1,40% e 1,12% cada./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, UÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

Estadão
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