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Cautela externa e persistente temor fiscal local levam Ibovespa à queda

21 out 2021 11h10
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Clima cauteloso no exterior e persistentes preocupações de investidores com a dinâmica fiscal do Brasil conduzem o Ibovespa à queda. Embora o índice futuro tenha passado a subir há instantes (subia 0,30%, aos 110.340 pontos às 10h38), o ambiente interno continua preocupante.

Além disso, o Ibovespa desacelerou o ritmo de queda, passando a operar na faixa dos 109 mil pontos, à medida que as ações de alguns bancos reduziram as perdas ou passaram a testar elevação. Porém, o índice ainda está distante do nível da abertura (110.767,14 pontos).

A desaceleração está longe de indicar retomada, já que o declínio na carteira do principal índice da B3 é quase generalizado (apenas sete subiam perto de 10h40). Além disso, há forte desvalorização de papéis de peso no Ibovespa, como daqueles ligados ao setor de commodities.

"Há uma preocupação forte do mercado com o fiscal. A questão nem é mais se romperá o teto de gastos. Depois da fala do Guedes ministro da Economia, Paulo Guedes, isso ficou claro. O problema é saber qual será o tamanho do rombo", afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Guedes não só admitiu que o governo poderá furar o teto de gastos em R$ 30 bilhões para lançar o Auxílio Brasil de R$ 400, como disse que "a forma de fazer auxílio é a política que decide". "Faremos sincronização de ajustes de salário ou pediremos licença de R$ 30 bi", afirmou. A ala política, porém, quer um valor ainda maior fora do teto. Já o ministro da Cidadania, João Roma, disse que o governo não trabalha com uma possibilidade fora do teto de gastos, mas de mudança na regra a fim de não comprometer os gastos públicos.

Como ressalta Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, foi a primeira vez que o ministro reconheceu em público que precisará "driblar" a regra do teto para cumprir a determinação do presidente Jair Bolsonaro e o projeto do Auxílio Brasil. "Mais uma vez, investidores ficam com olhos bem abertos para o risco fiscal e expressam sua cautela nos preços lá fora nesta manhã", diz em nota, ao citar o recuo do EWZ.

Além das questões internas, Vitor Miziara, da Criteria Investimentos, afirma que a quinta-feira "não é um dos melhores dias" para os mercados. Externamente, ele cita a queda de várias bolsas asiáticas e das commodities, refletindo as medidas do governo da China para tentar segurar os preços de algumas matérias-primas como minério de ferro e carvão e, consequentemente, inibir inflação. Além disso, o "caso Evergrande" voltou a incomodar os mercados.

A incorporadora chinesa não conseguiu fechar a venda de uma fatia de 50,1% de sua unidade Evergrande Property Services, num acordo que renderia cerca de US$ 2,6 bilhões e ajudaria a empresa a evitar um calote. Há temores de que a crise da Evergrande se espalhe pelo continente asiático. Os problemas financeiros da gigante construtora Evergrande estão afetando bônus com grau especulativo do setor imobiliário chinês.

O minério de ferro fechou em queda de 5,75% no porto chinês de Qingdao, a US$ 116,93 a tonelada, o que pesa nas ações do setor metálico no Ibovespa, assim como o recuo do petróleo no exterior influenciar negativamente os papéis da Petrobras. Vale On cedia 2,89% e Petrobrás caía 1,58% (PN) e pedia 1,46% (ON).

Ficam ainda no radar os dados de produção da estatal. A produção comercial de petróleo e gás natural da Petrobras caiu 5% no terceiro trimestre ante igual período de 2020 e as vendas subiram 10,5% no período.

Em Nova York, o declínio da bolsas era moderado, inclusive com o Nasdaq passando a subir (0,08%). Por lá, há pouco, foi informado o índice semanal de pedidos de auxílio-desemprego, que caiu a 6 MIL na semana, a 290 mil, ante previsão 300 mil.

De acordo com o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, a agenda leve hoje aqui e lá fora pode abrir espaço para volatilidade, em meio a certa cautela de investidores com a possibilidade de antecipação de alta de juros nos EUA e desaceleração global. Internamente, diz, em nota, há o "medo de mudanças em regras fiscais, que trazem incertezas e dificultam precificação dos ativos no Brasil".

Estadão
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