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CEO da Nissan: Brasil é campeão em impostos sobre carros

É verdade que o mercado brasileiro no curto prazo é decepcionante, mas isto não retira seu potencial, afirmou Carlos Ghosn

16 abr 2014
09h09
atualizado às 11h18
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O CEO global da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, não está preocupado com o investimento de R$ 2,6 bilhões em uma fábrica para a Nissan em Resende (RJ), mesmo com um cenário que prevê pelo menos dois anos de crescimento baixo do mercado. Segundo ele, a marca vai elevar seu market share, mesmo se as vendas gerais tiverem queda. No entanto, as expectativas seriam muito melhores se houvesse redução da carga tributária no Brasil. 

Carlos Ghosn, CEO global da Renault-Nissan, esteve no Brasil para inauguração de uma fábrica em Resende (RJ)
Carlos Ghosn, CEO global da Renault-Nissan, esteve no Brasil para inauguração de uma fábrica em Resende (RJ)
Foto: EFE

“O carro é um objeto muito tributado no Brasil - é campeão do mundo. Até 45% do preço pode ser imposto. Não conheço nenhum outro país com esse nível de carga tributária. A longo prazo seria bom que essa carga fosse mais baixa. mas o potencial do Brasil é independente disto. A carga tributária vai acelerar ou atropelar um desenvolvimento que vai acontecer de qualquer forma. Não há razão para o nível de motorização brasileira fique abaixo de Portugal, por exemplo. Agora o prazo em que isto vai acontecer depende da política econômica dos próximos governos”, afirmou. 

De acordo com o executivo, cerca de 175 carros circulam para cada mil habitantes no Brasil. A média é muito abaixo dos 500 veículos por mil habitantes em média na Europa – e ainda mais distante dos 800 nos Estados Unidos. “É verdade que o mercado brasileiro no curto prazo é decepcionante, aquela expectativa de 3% de crescimento ao ano não aconteceu. Mas isto não retira seu potencial. O Brasil não ficará por muito tempo tão abaixo de um país europeu médio. Vai encaminhar para 400 ou 500 carros por mil habitantes, mesmo que tenhamos obstáculos.”

A Nissan inaugurou na terça-feira sua primeira fábrica própria no Brasil. A produção seguirá integrada com a Renault, no Paraná, conforme a aliança global entre as duas empresas. Mas agora a Nissan terá muito mais fôlego para crescer no Brasil. Até então, apenas a família Livina e a Frontier eram fabricadas nacionalmente, enquanto modelos de maior volume de vendas como March e Versa eram importados do México. No ano passado, o governo restringiu as importações do país, com um acréscimo de imposto, que derrubou os emplacamentos da marca japonesa no Brasil.

A unidade produtiva em Resende (RJ) terá capacidade para até 200 mil carros e motores por ano, mas o começo será mais contido. A expectativa para este ano é vender 115 mil unidades, ante 78 mil no ano passado. Da fábrica sairão os modelos New March e Versa (que também será atualizado), com motores 1.6 litro. Segundo Ghosn, a meta é mais que dobrar o market share para 5% em dois anos. A aposta da montadora japonesa se baseia no fato de que os emplacamentos estão a um nível muito abaixo da média da Nissan em outros países.

"Não estamos investindo para os próximos seis meses, mas para dez anos. Uma fábrica dessa não toma em conta as vendas no ano, mas a médio e longo prazo. O potencial da Nissan é perto de 5%, não os 2% do que temos hoje. A razão deste patamar baixo é que as regras de comércio com o México mudaram e atropelaram o crescimento. Com a fábrica, este desenvolvimento vai acontecer qualquer que seja o resultado do mercado brasileiro. Se há uma diferença grande da média global de market share e do Brasil, é fato que ele vai subir com os produtos certos", disse.

A primeira fábrica própria da Nissan no Brasil produzirá os modelos New March e Versa
A primeira fábrica própria da Nissan no Brasil produzirá os modelos New March e Versa
Foto: EFE

Este avanço deve ser impulsionado pelas vendas do New March e Versa nacionais, mas novos modelos devem chegar ao Brasil para ampliar a gama, que conta também com os sedãs Sentra e Altima, importados do México e EUA, respectivamente. Por enquanto, Ghosn não apontou para a introdução da marca “popular” do grupo, a Datsun, que renasceu no último ano. “Não vamos trazer muitas coisas ao mesmo tempo. Você acaba não fazendo direito”, explicou.

O CEO da Nissan também não descarta a produção nacional do Leaf, veículo elétrico do grupo, mesmo que ela esteja muito distante ainda. Segundo ele, para ser lucrativa, a fábrica deverá montar pelo menos 50 mil unidades por ano – número absurdo para o quase inexistente mercado de híbridos e elétricos no Brasil. “Hoje não vemos nenhum interesse concreto das autoridades brasileiras para carros elétricos. Parece que teremos uma nova legislação, vamos esperar para ver e em função disto vamos decidir se fazemos uma comercialização ou vamos além disso”, afirmou.

Fonte: Terra
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