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Carlos Aguiar: R$ 500 mi do governo para Moderfrota não dão para esta tarde

29 abr 2019
18h11
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Ribeirão Preto, 29 - O diretor de Agronegócios do Santander, Carlos Aguiar, afirmou nesta segunda-feira, 29, que os R$ 500 milhões em recursos extraordinários e a juros subsidiados, anunciados nesta data para o Moderfrota, "não dão para esta tarde". O volume de recursos foi anunciado pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, onde também está Aguiar. "Em minha opinião, R$ 500 milhões não dão para essa tarde", afirmou Aguiar.

Pouco antes do fechamento deste texto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nota esclarecendo que o Moderfrota terá R$ 536 milhões adicionais para a safra 2018/19.

Na feira, o Santander terá R$ 1 bilhão de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) Agro para o produtor rural. A taxa total de juros vai de 0,79% ao mês (9,90% ao ano) a 1,09% ao mês (13,89% ao ano), com prazos de pagamento de dois até sete anos. "Se fôssemos financiar, há dois anos, a taxa de mercado era de 14% (ao ano) para começar, mas hoje a Selic é 6,5% ao ano. Hoje tem dinheiro e, apesar de não ser subsidiada, a taxa livre de mercado é palatável, bem razoável, uma solução para período que não tem BNDES (com juros subsidiados)", afirmou.

O Santander tem R$ 17 bilhões em carteira de crédito rural e espera fechar 2019 com R$ 21 bilhões em carteira. A instituição tem 6% de market share de participação no setor, liderado pelo Banco do Brasil, com 61% de participação.

Mais juros livres

O diretor de Agronegócios do Santander avaliou na Agrishow que o Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020 deverá ser marcado "por mais juros livres", com bancos privados crescendo em crédito e fazendo cada vez mais o papel dos bancos públicos. Nesse cenário de juros menos subsidiados, mas com uma taxa Selic em 6,5% ao ano, o executivo avalia que "agroindústrias e grandes produtores que têm acesso a outras fontes vão usar esses recursos de mercado", disse.

Ele lembra que o crédito oficial na safra 2018/2019 acabou em outubro do ano passado e que "de lá para cá" o banco "nunca fez tantos financiamentos". "Janeiro a março foi o melhor período do crédito rural e sem recursos do crédito livre", afirmou.

Para Aguiar, a questão fiscal do governo federal é delicada, e limita os recursos a juros controlados, que deverão ser direcionados para os pequenos produtores em 2019/2020. "Hoje, para subsidiar agricultura tem de cortar em outro lugar. O que vem por aí são escolhas e o óbvio é privilegiar os pequenos produtores com crédito subsidiado", completou.

China

Com a crise da peste suína na China, Aguiar afirmou também que nos próximos dois anos o cenário do agronegócio brasileiro deve ser negativo para os grãos, já que aquele país é o maior importador dessa matéria prima para alimentos de animais. No entanto, o cenário para a proteína animal brasileira é positivo, com o consequente crescimento na demanda pelas carnes. "Mas isso tudo é cíclico", ponderou.

Estadão
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