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Bunge amplia ações no Cerrado e quer eliminar soja ligada a desmate legal em 2025

3 mar 2021 - 15h33
(atualizado às 17h33)
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A Bunge informou nesta quarta-feira que lançou programa para monitorar a soja adquirida de fontes indiretas no Cerrado brasileiro, um movimento "sem precedentes no setor" que busca fechar o cerco contra o desmatamento associado à agricultura na importante região produtora.

Colheita de soja em Porto Nacional (TO) 
24/03/2018
REUTERS/Roberto Samora
Colheita de soja em Porto Nacional (TO) 24/03/2018 REUTERS/Roberto Samora
Foto: Reuters

O programa faz parte da Política Global de Não-Desflorestamento da Bunge, compromisso público e voluntário que prevê cadeias livres de desmatamento até 2025, disse a empresa em nota.

A Bunge esclareceu, por meio da assessoria de imprensa, que já não compra soja com origem em desmatamento ilegal. E que, a partir de 2025, também não comprará grãos que tenham sido cultivados em áreas desflorestadas dentro da legalidade, com desmates realizados após 31 de dezembro de 2024.

Agricultores brasileiros podem desmatar parte de suas terras dentro da lei, em percentuais que variam de acordo com a região.

Já o programa de monitoramento da soja adquirida de fontes indiretas, que deve contar com o apoio das revendas de grãos na região, foi lançado após empresas globais pedirem, em dezembro, que tradings de commodities parem de trabalhar com soja associada ao desmatamento do Cerrado brasileiro, que já viu cerca de metade de suas matas nativas serem convertidas em propriedades rurais.

"Nós reconhecemos o importante papel que podemos desempenhar em nossa indústria. Essa iniciativa sem precedentes é o caminho para que a Bunge compartilhe com sua cadeia de suprimentos suas melhores práticas para construção de cadeias de valor rastreáveis e verificáveis", disse o vice-presidente Global de Sustentabilidade da Bunge, Rob Coviello, em nota.

A Bunge não detalhou por questões estratégicas os volumes originados no Cerrado, importante região produtora também de milho.

Afirmou apenas que origina cerca de 25 milhões de toneladas de grãos (soja, milho e trigo) anualmente em todo o Brasil, o maior produtor e exportador global da oleaginosa. O país é ainda o segundo maior fornecedor de milho no mundo.

No que diz respeito à Amazônia, a Bunge lembrou que, como integrante da Moratória da Soja, a companhia não compra a oleaginosa de áreas que foram desmatadas mesmo que legalmente após 2008 --um movimento seguido por outras tradings do setor.

100%

A Bunge notou que já possui 100% de rastreabilidade em suas compras diretas no Brasil e, só no Cerrado, monitora mais de 8.000 propriedades, alcançando 11,6 milhões de hectares --a área brasileira total com soja está estimada em pouco mais de 38 milhões de hectares em 2020/21.

Segundo a empresa, com o engajamento das revendas de grãos, a partir do Parceria Sustentável Bunge, a expectativa é alcançar também 100% de rastreabilidade e monitoramento dos volumes oriundos de compras indiretas, afirmou em comunicado.

Atualmente, a Bunge monitora 30% dos volumes indiretos.

O programa sobre o Cerrado vai orientar os parceiros a implantarem sistemas de verificação da cadeia, incluindo o uso de imagens de satélite.

As revendas poderão adotar serviços de imagem independentes ou usar a estrutura de monitoramento geoespacial da Bunge, sem custos, ressaltou a empresa.

Para o diretor de Originação da Bunge, Roberto Marcon, as revendas de grãos possuem papel importante ao viabilizar o acesso de pequenos e médios produtores ao mercado.

"Ao auxiliá-las a implantarem sistemas de rastreabilidade e monitoramento contribuímos com todo o setor."

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