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Brasil mantém expectativa que EUA revejam política sobre aço

2 mai 2018
13h08
atualizado às 14h02
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O governo brasileiro negou nesta quarta-feira ter havido um acordo com os Estados Unidos sobre a imposição de sobretaxas nas importações norte-americanas de aço e alumínio e lamentou a decisão unilateral de Washington de criar cotas de exportação ao país.

Aço laminado em galpão de armazenamento
13/03/2018
REUTERS/Mark Blinch
Aço laminado em galpão de armazenamento 13/03/2018 REUTERS/Mark Blinch
Foto: Reuters

Segundo comunicado divulgado à imprensa pelos ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e das Relações Exteriores, os EUA interromperam negociações com o Brasil em 26 de abril, impondo como alternativa o pagamento de sobretaxas ou a limitação das exportações a quotas.

"Não houve ou haverá participação do governo ou do setor produtivo brasileiros no desenho e implementação de eventuais restrições às exportações brasileiras", afirmaram os ministérios no comunicado, acrescentando que o Brasil "mantém a expectativa de que os EUA não prossigam com a aplicação de restrições" e que "seguirá disposto a adotar, nos âmbitos bilateral e multilateral, todas as ações necessárias para preservar seus direitos e interesses".

O Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA, vinha negociando com Washington uma eventual isenção permanente das tarifas de importação, de 25% para aço e de 10% para alumínio, impostas em março pelo governo Trump. O País vinha contando com uma isenção temporária enquanto durassem as negociações.

Na véspera, o assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, afirmou que os países que foram isentos das sobretaxas ainda estarão sujeitos a um sistema de cotas de importação, depois que a Casa Branca havia informado na segunda-feira que tinha alcançado "acordos em princípio" com Argentina, Austrália e Brasil.

Segundo o governo brasileiro, o setor siderúrgico avalia que "a imposição de quotas seria menos restritiva em relação à tarifa de 25%". Já a indústria brasileira de alumínio sustenta que "a alternativa menos prejudicial a seus interesses seria suportar as sobretaxas de 10%".

As ações de siderúrgicas que viam risco de crescimento das importações de aço no Brasil por conta do desvio de fluxo de comércio dos Estados Unidos, Usiminas e CSN, subiam na bolsa paulista, enquanto os papéis da Gerdau, que tem importantes operações nos EUA, recuavam 0,6% por volta das 13h.

Para o presidente da associação que representa o setor de alumínio no Brasil, Abal, Milton Rego, os norte-americanos implementaram "uma negociação ao estilo Al Capone. Você consegue resultados melhores com um revólver apontado na cabeça".

Segundo Rego, a Abal prefere a cobrança da sobretaxa de 10% a ter de perder 20% a 30% de suas exportações para os EUA, que em 2017 somaram 55 mil toneladas. Ele afirmou que o sistema de cotas preferido por Washington baseia-se na média de volume exportado nos últimos cinco anos, o que implicaria em 2018 uma redução de cerca de 10 mil toneladas.

"Isso significaria que as empresas (fabricantes brasileiros de alumínio) não poderiam mais ter nenhum programa de desenvolvimento de mercado e nem conseguir completar os contratos em andamento", disse Rego, acrescentando que os EUA são o primeiro destino das exportações de alumínio pronto para ser usado pela indústria.

Rego comentou ainda que se os norte-americanos estivessem dispostos a negociar uma cota maior ou sobretaxas menores, a Abal poderia ter outra preferência que a atual de pagamento de sobretaxa.

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