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Brasil cria 277.018 empregos formais em maio

No ano, o saldo de criação de vagas no emprego formal é de 1,05 milhão de vagas, segundo dados do Ministério do Trabalho

28 jun 2022 - 10h56
(atualizado às 17h28)
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BRASÍLIA - O mercado de trabalho formal registrou um saldo positivo de 277.018 carteiras assinadas em maio, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência divulgados nesta quinta-feira, 28. Em abril, foram criadas 196.966 evagas com carteira assinada. Na comparação com maio de 2021, o dado foi melhor, pois foram geradas 266,5 mil vagas formais no ano passado.

O mercado financeiro esperava uma desaceleração no ritmo de abertura de vagas formais em maio, mas o resultado veio acima da mediana da pesquisa do Estadão/Broadcast, de 181.250 postos de trabalho. As estimativas variavam de 80 mil a 282.416 vagas criadas.

O ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, afirmou que o Brasil deve gerar mais de 1,5 milhão de empregos em 2022, estimativa anterior da pasta. Oliveira, entretanto, não divulgou a nova expectativa do governo. De janeiro a maio, o país já criou 1.051.503.

O Caged trata apenas do mercado formal, com carteira. Já o mercado de trabalho brasileiro é formado, na sua maior parte, pelo trabalho informal - daí a diferença com os números do IBGE.

Desde 2020, o uso do Sistema do Caged foi substituído pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para as empresas, o que traz diferenças na comparação com resultados dos anos anteriores.

Os dados do Caged podem ser revisados até um ano após novas demissões e contratações. No ano passado, no fim de janeiro, o Ministério da Economia divulgou que em 2020 as admissões haviam superado as demissões em 142.690 empregos no ano passado. Em novembro, porém, depois das revisões, os dados apontaram para destruição de 191.502 vagas, ao contrário do que o governo alardeou durante todo o ano.

Setores

A abertura de vagas de trabalho com carteira assinada em maio foi novamente puxada pelo desempenho do setor de serviços no mês, com a criação de 120.294 postos formais, seguido pela comércio, que abriu 47.557 vagas.

Já a indústria geral criou 46.975 postos com carteira assinada em maio, enquanto houve um saldo de 35.445 contratações na construção. Na agropecuária, o saldo foi positivo em 26.747 vagas no mês.

No quinto mês do ano, as 27 Unidades da Federação registraram resultado positivo no Caged. O melhor desempenho foi novamente registrado em São Paulo, com a abertura de 85.659 postos de trabalho.

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada chegou a R$ R$ 1.898,02 em maio, uma queda real de R$ 18,05.

Desaceleração à vista?

O resultado do Caged em maio foi bem-recebido pelo mercado. "Já esperávamos aceleração em relação a abril, mas um número menor do que o visto em maio de 2021", afirma o economista do Banco Original Eduardo Vilarim. "Temos um crescimento bastante robusto, em boa parte sustentado pela atividade econômica."

Ele ressalta, porém, que o forte aumento da taxa básica de juros para combater a inflação deve atingir a atividade de forma mais forte ao longo do segundo semestre. Segundo ele, o movimento deve reverberar no mercado de trabalho, com desaceleração dos números vistos até o momento.

O economista do Banco BV Carlos Lopes também espera perda de fôlego no ritmo de geração no segundo semestre, mas sem grande intensidade. "É um segundo semestre de atividade mais fraca, e isso deve se traduzir em alguma defasagem do mercado de trabalho. Mas, os últimos indicadores de atividade e confiança ainda não têm apontado essa desaceleração mais forte", afirma.

Na avaliação dele, o pacote de benefícios sociais que o governo tenta emplacar pode dar mais um alento ao mercado, ainda que temporário. "Somado às medidas pretendidas pelo governo, como aumento do Auxílio Brasil e vouchers (bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil e aumento do vale gás), isso pode dar um impulso a mais na atividade e postergar essa desaceleração mais intensa para o início do ano que vem." / COM BROADCAST

Estadão
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