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Brasil ainda tenta negociar tarifas com Trump

4 mai 2018
15h26
atualizado em 14/5/2018 às 10h41
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Temer diz que tendência é que setores de aço e alumínio aceitem as sobretaxas impostas pelos EUA a fim de não perder o mercado americano. Mas negociadores brasileiros ainda esperam obter melhores condições.O presidente Michel Temer afirmou nesta sexta-feira (04/05) que a indústria brasileira estaria disposta a aceitar as tarifas sobre o aço e o alumínio impostas pelos Estados Unidos, mas destacou que nenhuma decisão definitiva foi tomada até o momento.

O presidente Michel Temer, durante evento do Fórum Econômico Mundial em São Paulo, em 14 de março
O presidente Michel Temer, durante evento do Fórum Econômico Mundial em São Paulo, em 14 de março
Foto: DW / Deutsche Welle

"Há uma tendência de aceitar as chamadas cotas que os EUA estão pleiteando. Naturalmente, a posição dos produtores é de que não querem perder o mercado [americano]", declarou o presidente, em sua primeira entrevista à emissora estatal NBR. "Ainda não há decisão."

Temer reiterou a possibilidade de o país recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as sobretaxas americanas aos produtos brasileiros, mas disse esperar que, nas próximas semanas, consiga negociar melhores condições com o governo em Washington.

Segundo o presidente, possíveis acordos seriam o estabelecimento de cotas determinadas de exportação ou uma mudança na porcentagem das tarifas: em vez dos 25% impostos pelos EUA, o aço seria taxado em 10%. Para o alumínio, por sua vez, a sobretaxa seria mantida nos 10%. "Isto ainda está em estudo", disse.

O Brasil foi inicialmente eximido das tarifas estabelecidas em março pelo presidente americano, Donald Trump, a todo aço e alumínio importado pelos EUA. A suspensão ocorreu durante a fase de negociação de acordos comerciais paralelos.

Nesta semana, Washington chegou a anunciar que alcançou um acordo preliminar com o Brasil sobre as taxações, o que foi negado mais tarde pelo governo brasileiro. Segundo o Itamaraty, as negociações para a isenção das sobretaxas foram suspensas em 26 de abril pelos EUA.

"O governo brasileiro lamenta que o processo negociador tenha sido interrompido e reitera seguir aberto a construir soluções razoáveis para ambas as partes", diz uma nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

O texto, divulgado na quarta-feira, ressalta que 80% das exportações de aço do Brasil se referem a produtos semiacabados. Com relação ao alumínio, os ministérios dizem que as exportações brasileiras são pequenas e, por isso, o setor já teria concordado em pagar as sobretaxas de 10%.

Nesta sexta-feira, Temer lembrou que as empresas americanas que recebem o aço inacabado também querem continuar recebendo essas exportações. "Eles acabam o aço lá nos Estados Unidos e ganham com esse acabamento. Não foi útil essa decisão americana", disse o presidente.

"[A imposição das taxas] foi adiada no primeiro mês. Agora foi adiada no segundo mês. Quem sabe até o término do segundo mês, nós consigamos negociar em melhores condições", acrescentou.

Ao todo, 32% do aço exportado do Brasil têm como destino os EUA. O país figura como o segundo maior exportador para o mercado americano, com 4,7 milhões de toneladas embarcadas em 2017. Só perde para o Canadá, que exportou 5,8 milhões de toneladas ano passado.

Entre as principais empresas brasileiras do setor do aço estão a mineradora Vale, maior produtora e exportadora mundial de ferro, o grupo Gerdau, maior produtor de aço da América Latina, que tem fábricas em 14 países, a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional.

EK/abr/rtr/dw

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