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Bolsas de NY fecham sem direção única com impasse para aprovação de pacote

25 mar 2020
18h47
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As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta quarta-feira em direções opostas, com Dow Jones e S&P em alta, mas o Nasdaq em queda. A expectativa em torno do pacote de US$ 2 trilhões em estímulos à economia americana, para lidar com as consequências econômicas da covid-19, previsto para ser votado hoje no Congresso, ajudou a manter o ritmo de alta. Um impasse, porém, entre democratas e republicanos acerca do valor do seguro desemprego trouxe certo temor para os mercados, que diminuíram os ganhos, com o índice tecnológico virando para baixo nos minutos finais do pregão.

O índice Dow Jones fechou em alta de 2,39%, aos 21.200,55 pontos, e o S&P 500 subiu 1,15%, a 2.475,56 pontos. Já o Nasdaq fechou em queda de 0,45% com 7.384,30. Ações de petrolíferas, que operam em forte alta, ajudadas pelos ganhos dos contratos das commodities, apoiaram os ganhos. A Exxon Mobil subiu 5,22% e a Chevron viu seus papéis se valorizarem 4,09%. As montadoras também ficaram no território positivo, com a Ford subindo 8,89% e a Fiat 5,99%, enquanto a General Motors avançou 1,80%. Após o fechamento, porém, a Ford teve uma notícia negativa: a S&P cortou o rating da empresa de BBB- para BB+, levando-o ao território "junk", e ainda colocou a nota em observação para eventual rebaixamento, em meio à suspensão na produção da montadora na Europa e na América do Norte por causa do coronavírus.

Já algumas ações importantes dos setores de tecnologia e serviços de comunicação tiveram reação inversa: a Apple caiu 0,55% e a Alphabet (controladora do Google) se desvalorizou 2,51%.

As bolsas de Nova York mostravam grande volatilidade já no início do pregão, quando operaram em alta, na expectativa da aprovação do pacote econômico proposto pelo governo dos EUA. Os índices não se sustentaram e começaram a cair no final da manhã (horário de Brasília), diante da demora para confirmação do pacote e também da divulgação de detalhes da iniciativa. A notícia de que a legislação incluiria um socorro financeiro à gigante da aviação Boeing fez as ações da companhia dispararem, fechando em alta de 24,32%, o que ajudou o S&P 500 a terminar o dia no azul e o Dow Jones a se destacar.

Em relatório divulgado pela manhã, o CIBC já ponderava para a possibilidade de entrave no Congresso. "A Casa liderada pelos democratas Câmara dos Representantes estava analisando uma proposta ainda maior, com algumas diferenças nos detalhes. Os dois Câmara e Senado precisam concordar com um pacote comum a ser enviado à Casa Branca, para uma aprovação praticamente certa pelo presidente Trump", pontuou a instituição.

O texto negociado entre parlamentares dos dois partidos, durante a madrugada, incluía uma emenda que ampliava o valor do seguro-desemprego de trabalhadores afetados pela crise em US$ 600 por semana. No entanto, quatro senadores republicanos demonstraram forte oposição à proposta. Em reação, Bernie Sanders ameaçou travar a legislação.

O também pré-candidato democrata à presidência, Joe Biden, disse que o pacote "percorre um longo caminho" e que exigirá uma forte supervisão para garantir que os ricos não se beneficiem às custas dos trabalhadores. Ele propôs perdoar pelo menos US$ 10 mil em dívidas de empréstimos para estudantes como parte do governo federal.

Para a Capital Economics, "este pacote ajudará a conectar consumidores e empresas" em meio à crise mas, infelizmente, o estímulo pouco fará para solucionar a questão da saúde. "Porém esse é um grande passo, além das ações históricas do Federal Reserve, que pode ajudar a limitar a desvantagem de curto prazo e garantir uma forte recuperação quando o surto de coronavírus estiver totalmente contido", afirma a consultoria em relatório enviado a clientes.

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Estadão
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