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Bolsa dispara com Previdência e fecha em alta de 2,27%

14 fev 2019
19h07
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O mercado doméstico de ações celebrou a divulgação dos primeiros pontos do projeto da reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro e levou o Ibovespa a subir mais de 2% e retomar o nível dos 98 mil pontos nesta quinta-feira, 14. Depois de uma manhã e início de tarde no vermelho, em meio a dados fracos do varejo nos Estados Unidos e o "caso Bebianno", o índice mudou de sinal e passou a subir a partir das 15h, com o início da reunião entre o presidente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e outros expoentes do primeiro escalão. O Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, havia apurado que, caso Bolsonaro batesse o martelo, as principais diretrizes da reforma seriam divulgadas. E foi o que aconteceu.

Pouco depois das 17h, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, anunciou que o presidente havia aprovado a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, com período de transição de 12 anos. Não era a proposta defendida por Guedes - com idade mínima de 65 anos para todos e transição de 10 anos -, mas era melhor que o cenário aventado na quarta pelo próprio Bolsonaro em entrevista, de 60 anos (homens) e 57 (mulheres). Uma reforma considerada insuficiente para o ajuste das contas públicas poderia esvaziar o otimismo do mercado.

Segundo Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença, o fato de a idade mínima não ter sido estabelecida na faixa inferior mostrou que Paulo Guedes mantém seu prestígio com o presidente. "O mercado comprou Guedes, e não Bolsonaro. E essa idade mínima mostra que Guedes tem força", afirma.

Com uma arrancada no fim do pregão, o Ibovespa fechou em alta de 2,27%, aos 98.015,09 pontos - cerca de 3 mil pontos acima da mínima (94.915,48 pontos). Os papéis PN da Petrobras, já em alta com o petróleo, avançaram 3,45%. Até mesmo a Vale, que passou a maior parte do dia no vermelho, ganho fôlego e subiu 0,37%. No bloco financeiro, o Banco do Brasil, único papel em alta desde o início do dia com a divulgação de resultados, liderou os ganhos (+5,11%). Outros gigantes do setor também fecharam em forte alta: Bradesco (+3,81%) e Itaú (2,66%).

Passada a euforia inicial, o mercado vai se debruçar sobre outros aspectos do projeto. Falta saber, por exemplo, se o governo pretende introduzir o sistema de capitalização. Também há dúvidas sobre a articulação com o Congresso. Não houve ainda desenlace para o caso do secretário-geral da Previdência, Gustavo Bebianno, acusado de envolvimento em esquema de candidatura laranja do PSL e desmentido pelo filho do presidente Carlos Bolsonaro em uma mensagem no Twitter replicada pelo próprio Bolsonaro. Nesta quinta, o líder do PSL na Câmara, Delegado Valdir (GO), disse que o presidente Jair Bolsonaro não tem hoje uma base no Congresso para aprovar a reforma da Previdência. As informações são de que Bolsonaro vai assinar o texto no próximo dia 20 e enviá-lo ao Congresso.

"O mercado gostou da questão da idade mínima. Mas ainda falta muito. O que está aí não é ruim, mas realmente não basta", afirma Álvaro Bandeira, economista do Modal Mais.

Estadão
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