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Bolsa de crédito de carbono AirCarbon inicia operação no Brasil no 1º semestre

A plataforma conecta empresas que querem compensar as emissões de carbono a projetos verdes; Serão realizados no País leilões de 10 milhões de toneladas de créditos

5 jan 2022 - 12h17
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A AirCarbon Exchange, plataforma de negociação de créditos de carbono sediada em Cingapura, inicia sua operação no Brasil no primeiro semestre de 2022. A plataforma tem uma típica tela de negociação de commodities, com cotação, livro de oferta e gráficos de preço. Na ponta compradora, empresas que voluntariamente compensam as emissões. Na vendedora, projetos originadores do crédito. No meio de tudo isso há os especuladores. Os créditos ficam listados para renegociação na plataforma, numa espécie de mercado secundário.

Serão realizados no País leilões de 10 milhões de toneladas de créditos originados em 30 projetos verdes nacionais, desde geradoras de energia limpa até a conservação de florestas.

"Compradores e vendedores de todo o mundo entram no mesmo ambiente de negociação na plataforma, que fica nas nuvens, acessada a partir do computador", explica Carlos Martins, diretor presidente da AirCarbon Brasil e da BlockC, em entrevista ao Broadcast.

A plataforma, que recentemente inaugurou escritório no Centro do Rio, em parceria com a brasileira BlockC, foi criada há um ano por dois americanos com experiência em implementar mercados de commodities e bolsas de valores na Ásia. Hoje, é uma das maiores plataformas do mercado voluntário no mundo. O Brasil é prioridade porque gera 20% dos créditos de carbono globais. A expectativa é atrair 100 projetos nacionais para a plataforma nos próximos anos, originadores de 30 milhões de toneladas de créditos de carbono.

Como funciona

O crédito de carbono é uma medida padronizada, correspondente a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente. Apesar disso, existem diversas cotações para o crédito, o que, em parte, é explicado por sua "narrativa". Um crédito de energia renovável é vendido por US$ 1,5 a US$ 4 a tonelada. A conservação de floresta com a "grife" da Amazônia por valer de US$ 8 a US$ 12,5 a tonelada.

Para Martins, as empresas brasileiras devem passar a atuar como grandes compradoras de crédito de carbono no médio e longo prazo. O País tem segmentos "hard to abate", como são chamados os negócios em que não há tecnologia viável para eliminar as emissões de carbono por completo. Fabricantes de aço e fertilizantes, por exemplo, precisarão comprar créditos para compensar as emissões.

Apesar das características de mercado de commodities, o crédito de carbono não se enquadra como 20% valor mobiliário e, portanto, não está sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), explica Martins. A plataforma é restrita para pessoas jurídicas, que atuam sem intermediação de corretoras. O sistema fica nas "nuvens", sendo acessado somente a partir de desktops.

Martins explica que a empresa cobra taxa de 1% a 2% por transação realizada na plataforma, o que seria inferior à taxa cobrada por corretores no mercado de balcão, que poderia ultrapassar 10%. Ele não detalha a expectativa de lucratividade da operação brasileira, que estaria na casa de "dezena de milhões de reais" no segundo ano de operação, em 2023. Os sócios brasileiros têm cerca de 20% do negócio.

Estadão
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