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Cautela externa e ruído sobre Previdência deixam dólar instável

Após ter encostado em R$ 3,77, moeda americana fechou a terça-feira cotada a R$ 3,76, em alta de 0,9%

6 nov 2018
11h29
atualizado às 19h03
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Com um ambiente externo de cautela, impactado pelas eleições parlamentares nos Estados Unidos, e o mercado doméstico respondendo de forma sensível a ruídos nas sinalizações do governo eleito sobre a reforma da Previdência, o dólar operou nesta terça-feira, 6, alternando entre altas mais significativas e amenas. Após ter tocado os R$ 3,7699 na máxima do pregão, a divisa fechou cotada a R$ 3,7597, alta de 0,92%.

No mercado de ações, depois de uma sequência de altas que se estendeu por quatro pregões - com direito a dois recordes históricos sucessivos -, o Ibovespa cedeu a um movimento de realização de lucros e fechou em baixa de 1,04%, aos 88.668,92 pontos.

Petrobrás puxa para baixo o desempenho do índice Bovespa nesta terça-feira.
Petrobrás puxa para baixo o desempenho do índice Bovespa nesta terça-feira.
Foto: Divulgação / Estadão

Dólar

Internamente, o mercado opera sensível às sinalizações do presidente eleito Jair Bolsonaro e sua equipe em relação às medidas na área econômica, com destaque para a reforma da Previdência. A avaliação dos investidores é que há ruídos na comunicação do novo governo em relação à viabilidade de se votar a reforma ainda este ano. Pela manhã, por exemplo, enquanto Bolsonaro afirmava que é necessário votar "a reforma possível", sinalizando que concordaria com o texto que está atualmente no Congresso, seu filho, Eduardo Bolsonaro, afirmou achar "difícil" que a votação saísse esse ano.

"O mercado está bipolar em relação à Previdência, sensível a essas informações trocadas sobre a votação este ano, ora do Bolsonaro, ora do Guedes, ora dos filhos (do presidente eleito), ora do atual governo", aponta um operador.

Lá fora, o principal impacto do dia são as eleições de meio de mandato para o parlamento americano, cujo resultado deve sair apenas na madrugada desta terça.

Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado, a postura mais cautelosa do mercado externo explicita uma briga entre compradores e vendedores, o que alimenta a volatilidade. "A conjuntura externa leva investidores que estão muito expostos a enxugarem posições e quem está menos exposto aproveita para comprar, o que afeta dólar e bolsa", diz.

Bolsa

A queda desta terça-feira foi mais brusca pela manhã, quando os investidores repercutiam ruídos do cenário político doméstico e exibiam cautela ante o cenário internacional. À tarde, o índice se estabilizou em baixa moderada, com exceção da última hora de negociação, quando a piora das bolsas de Nova York impôs nova aceleração das ordens de venda. Os negócios somaram R$ 14,5 bilhões.

Na mínima do dia, registrada antes da abertura das bolsas de Nova York, o Ibovespa chegou aos 88.065,84 pontos, em queda de 1,71%. O movimento de baixa foi amenizado gradativamente, contando com a contribuição das bolsas americanas, que operaram em alta mesmo diante da cautela com a eleição no país. Analistas consideraram o movimento de realização de lucros natural e esperado, apontando alguns gatilhos específicos que a justificaram.

Na análise por ações no dia, o destaque ficou por conta das ações da Petrobras, que caíram 2,58% (ON) e 3,44% (PN). Além do balanço trimestral aquém do esperado, os papéis foram penalizados pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio à elevação das previsões de produção da commodity nos Estados Unidos. A maior queda do Ibovespa, no entanto, ficou com Magazine Luiza ON, que perdeu 8,36%, em movimento de realização de lucros após a companhia ter divulgado balanço trimestral dentro das expectativas dos analistas.

Estadão

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