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Black Friday 2021: confira dicas para aproveitar as promoções sem dor de cabeça 

Especialistas apontam como verificar se a compra vale mesmo a pena e recomendam que os consumidores fiquem atentos às fraudes nas compras online e aos seus direitos

25 nov 2021 10h07
| atualizado às 12h06
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A Black Friday, data em que lojas realizam promoções e oferecem descontos especiais, ocorre na próxima sexta-feira, 26. Com promessas de ofertas imperdíveis pelos lojistas, muitos consumidores que já planejam comprar um produto específico aguardam o dia para aproveitar os preços mais baixos.

Mas o evento, que se tornou uma das principais datas do comércio no País, também pode apresentar perigos, como fraudes e falsos descontos. Para aqueles que estão decididos a realizar compras durante a promoção, é preciso ter cautela e ficar atento às tentativas de golpes - e também aos direitos como consumidor.

Como a Black Friday deste ano ocorre em meio à alta da inflação e dos juros, também é necessário avaliar cuidadosamente se a decisão de compra realmente compensa.

Especialistas consultados pelo Estadão dão dicas para os consumidores aproveitarem a Black Friday sem maiores problemas. Confira abaixo.

Quais cuidados se deve tomar ao realizar uma compra?

A Black Friday é uma data muito importante para o e-commerce. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), lojas virtuais do País devem movimentar R$ 6,38 bilhões no próximo dia 26. Em 2020, as vendas ficaram em cerca de R$ 5,1 bilhões. Ao realizar compras online, é importante que os consumidores tomem alguns cuidados - e, durante a Black Friday, não será diferente.

Para aproveitar as ofertas sem dores de cabeça, especialistas recomendam acompanhar com antecedência o preço médio dos produtos para avaliar se o desconto oferecido durante a Black Friday é real. Também é recomendado comparar os valores promocionais entre várias lojas antes de finalizar a compra. Preços muito abaixo da concorrência em compras online devem despertar desconfiança.

"Não confie em ofertas mirabolantes", diz Rodrigo Jorge, diretor executivo de Segurança da Neoway. "O golpista vai querer atrair a vítima enchendo os olhos dela com um produto muito mais barato do que é possível. É preciso conferir em outras lojas se aquela oferta existe. Isso vale para ofertas em anúncios, em sites, em todos os lugares da internet", orienta.

Ainda em relação ao comércio eletrônico, Jorge afirma que o consumidor nunca deve clicar em links que afirmam ter promoções e que chegam por e-mail, redes sociais, WhatsApp ou mensagem de texto. Esses links podem conter softwares maliciosos ou até mesmo direcionar o consumidor para um site clonado.

"Golpistas podem clonar sites de grandes lojas. Eles colocam um site falso no ar e o consumidor pensa que está comprando no site verdadeiro. Por isso, ao comprar em lojas já conhecidas, é recomendado que você mesmo digite o link, com cuidado, para realmente entrar no site verdadeiro e não ser direcionado para esses sites falsos", diz Jorge.

Ele também indica o uso de antivírus, que detectam sites falsos - esse serviço, no entanto, costuma estar disponível somente nas versões pagas desses programas. Já em compras pelo celular, ele recomenda utilizar sempre os aplicativos oficiais das lojas.

Para verificar se um site desconhecido é seguro, Jorge recomenda reunir o máximo de informações da página, conferir se há um CPNJ, verificar o CNPJ no site da Receita Federal, identificar um endereço e verificar se ele existe, e também pesquisar a reputação da página em sites como o Reclame Aqui, por exemplo. O Procon-SP também disponibiliza uma lista de sites de empresas que são más fornecedoras e devem ser evitadas.

Em relação às formas de pagamento nas compras online, o especialista recomenda o uso de carteiras digitais, que oferecem mais segurança aos dados, ou o cartão de crédito virtual oferecido pelos bancos. "E nunca salvar os dados do cartão de crédito físico nos sites", diz.

Já em relação ao Pix, Jorge alerta que, caso o consumidor faça a transferência para um golpista, é mais difícil obter o valor de volta. Outros cuidados na hora de fazer compras online são nunca utilizar redes de wi-fi públicas e nunca repetir senhas para acessar diversos sites de compras - é preciso ter uma senha para cada.

Cuidados ao comprar na Black Friday:

  • Acompanhar oscilações de preço do produto, para verificar se desconto é real;
  • Desconfiar de preços muito baixos;
  • Não clicar em links recebidos por e-mail, redes sociais, WhatsApp ou mensagens de texto;
  • Usar antivírus;
  • Se certificar de acessar sites corretos das lojas, digitando o link, ou usar aplicativos oficiais dos estabelecimentos;
  • Não usar redes wi-fi públicas;
  • Usar senhas diferentes para os diversos sites;
  • Em sites desconhecidos, verificar informações como CNPJ e endereço da loja, além de pesquisar a reputação;
  • Utilizar carteiras digitais ou cartão de crédito virtual para pagamentos.

Direitos do consumidor

É importante que o consumidor também esteja atento aos seus direitos durante as compras da Black Friday. Segundo Milton Delgado Soares, professor do curso de Direito da Universidade Candido Mendes, um dos pontos que devem ser observados é o direito à informação, de forma clara e transparente.

"O Código de Defesa do Consumidor estabelece que ele deve ser informado adequadamente sobre produtos e serviços. O fornecedor tem que esclarecer tudo para o consumidor", afirma.

Soares também destaca como, especialmente na Black Friday, em que o volume de vendas é muito grande, há muitos casos em que não há a entrega do produto. Em casos assim, o consumidor pode tentar cobrar a própria loja, mas, não havendo acordo, é possível entrar com ação no Juizado Especial Cível para pequenas causas.

"No meu entendimento, caberia até mesmo pedido de indenização por dano moral, em razão da frustração por não poder usufruir daquilo que foi criado uma expectativa, que é o produto", diz Soares.

A advogada Renata Abalém, presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB - GO, cita outro direito importante: o direito de arrependimento para compras realizadas a distância, online ou por telefone. O consumidor tem até 7 dias corridos, após receber o produto, para devolver e receber de volta integralmente o valor que pagou, ou solicitar uma troca.

Em lojas físicas, o direito a troca só ocorre caso o produto comprado apresente algum defeito. A reclamação deve ser feita no prazo de 30 dias para produtos não duráveis e 90 dias para produtos duráveis, para que haja a troca.

"As lojas podem ter a política de troca delas, geralmente em que é possível trocar o produto que não tem defeitos em até 20 ou 30 dias. É assim que é possível trocar um presente que você recebeu e não gostou, por exemplo. Mas é algo que elas fazem para conquistar o consumidor. As lojas físicas só são obrigadas a trocar no caso de defeito", afirma Renata.

Caso o produto apresente um defeito fora do período em que a troca é permitida, mas for provado que o produto já veio com defeito, o que é chamado de defeito oculto, a loja terá que providenciar o reparo.

Renata também ressalta que, em casos onde o consumidor comprou um produto na Black Friday e depois percebeu que o desconto era falso (ou seja, que o produto teve o preço elevado para depois cair no dia da promoção), ele pode reclamar e, inclusive, entrar com uma ação na justiça.

No entanto, caso o consumidor perceba a prática de desconto falso em uma loja, mas não adquiriu nenhum produto, ele pode apenas denunciar o estabelecimento nos órgãos de defesa do consumidor. A denúncia muitas vezes pode ser feita de forma anônima e precisa de provas.

Direitos do consumidor para se ter em mente na Black Friday:

  • O consumidor deve ser informado adequadamente pela loja sobre produtos e serviços;
  • Em casos em que não há a entrega do produto e a loja não resolve o problema, o consumidor pode entrar com ação judicial;
  • Em compras online ou por telefone, o consumidor tem 7 dias corridos a partir de quando recebe o produto, para devolver e receber o dinheiro de volta, ou solicitar uma troca - não é preciso haver motivos;
  • Em lojas físicas, a troca do produto só pode ser solicitada caso haja defeito, no prazo de 30 a 90 dias;
  • Caso haja defeito oculto, notado após o período em que a troca é permitida, a loja deve promover o reparo do produto.

Vale a pena comprar na Black Friday?

Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomércio-SP, explica que, por conta do cenário de alta da inflação, dificilmente serão encontrados produtos mais baratos este ano em relação ao ano passado.

"Pode haver um ou outro produto que o lojista tem de estoque remanescente e conseguiu manter o preço. Mas a tendência é que os valores sejam bem maiores", diz. Há situações, porém, em que a compra pode compensar. Isso porque a quantidade de descontos poderá variar de um segmento para outro.

Alguns setores, como os que foram afetados pela escassez de insumos e, portanto, têm lojas com menos estoque, terão uma parcela menor de produtos em promoção. Já outros poderão ter preços mais competitivos, como o setor de vestuário, por exemplo - o segmento vem de um período de demanda fraca e precisa se livrar do estoque para a chegada de novas coleções no ano que vem.

"Além disso, os preços não subiram tanto como os eletrônicos e outros produtos que tiveram problemas de importação, então o setor consegue fazer promoções mais agressivas", acrescenta Dietze.

Do ponto de vista do consumidor, no entanto, é necessária uma avaliação criteriosa para tomar a decisão de realizar uma compra durante a Black Friday. Com o cenário econômico atual e a perda de poder de compra no País, Klaus Suppion, coordenador do curso de Ciências Contábeis da UMESP, recomenda cautela. "Essas ações pontuais para promoções são voltadas a motivar o consumo. Muitas vezes, de produtos que nem precisamos. Temos que ter cuidado com o dinheiro, porque o dinheiro está escasso", afirma.

Para ele, para determinar se uma compra na Black Friday vale a pena, é preciso avaliar três pontos: se o consumidor realmente precisa daquele produto; se ele tem os recursos disponíveis para pagar pelo produto; e se o produto realmente recebeu um desconto (ou passou por um aumento de preço antes da Black Friday para ser diminuído na data).

"O mais importante é a questão da necessidade. Se eu tiver dinheiro disponível, é possível avaliar se não seria interessante poupar ou fazer um investimento, ao invés de uma compra na Black Friday que talvez não tenha tanta utilidade", explica.

O que saber para decidir se vou comprar na Black Friday:

  • Por conta da inflação, a tendência é que os preços sejam maiores que os do ano passado;
  • Alguns segmentos terão uma parcela menor dos produtos em promoção;
  • Por outro lado, outros setores, como o de vestuário, provavelmente terão preços mais atrativos;
  • É preciso analisar se há realmente a necessidade do produto, se há os recursos para comprá-lo e se o desconto dado na Black Friday é real.
Estadão
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