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Draghi indica que BCE pode fornecer mais estímulo se inflação não acelerar

18 jun 2019
07h39
atualizado às 09h00
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O Banco Central Europeu precisará afrouxar a política monetária de novo caso a inflação não acelere, afirmou o presidente do BCE, Mario Draghi, nesta terça-feira, sinalizando uma das maiores reviravoltas de seu mandato de oito anos.

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE) durante coletiva de imprensa em Frankfurt, na Alemanha
07/03/2019
REUTERS/Kai Pfaffenbach
Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE) durante coletiva de imprensa em Frankfurt, na Alemanha 07/03/2019 REUTERS/Kai Pfaffenbach
Foto: Reuters

Depois de quatro anos de estímulo sem precedentes para reanimar a economia da zona do euro após a crise da dívida, o BCE vinha preparando o mercado para um aperto na política monetária, chamado de "normalização" - apenas para ver uma guerra comercial global prejudicar seus planos em questão de meses.

O problema é que, com os juros em mínimas históricas e a carteira do BCE já inchada para 4,7 trilhões de euros, sua munição restante é limitada, levantando dúvidas sobre a provável eficácia de quaisquer outras medidas.

"Na ausência de melhora, como se o retorno da inflação ao nosso objetivo estiver ameaçado, estímulo adicional será necessário", disse Draghi em conferência anual do BCE em Sintra, Portugal.

Com apenas quatro meses restantes de seu mandato, a desaceleração também é uma ameaça ao legado de Draghi. A promessa do italiano em 2012 de fazer "o que for preciso" para salvar o euro possui bastante crédito por ter mantido o bloco monetário unido durante os dias mais sombrios de sua crise.

"(Nós) usaremos toda a flexibilidade dentro de nosso mandato para cumprir nosso mandato --e faremos isso de novo para responder a qualquer desafio à estabilidade de preços no futuro", disse Draghi. "A política monetária continua comprometida com seu objetivo e não se resigna à inflação baixa demais."

Mas Draghi não é o único em ter que recuar.

O Federal Reserve primeiro desistiu do aumento da taxa de juros e pode, nesta semana, sinalizar cortes nos custos dos empréstimos já que a turbulência global tem afetado a confiança, atingindo as ações e o comércio global.

Draghi disse que o BCE, que não alcança sua meta de inflação de pouco menos de 2% desde 2013, ainda pode cortar os juros, ajustar sua orientação de política monetária e afirmou ter um "espaço considerável" para mais compras de ativos.

Ele também disse que o BCE pode oferecer "medidas de contenção" para compensar os efeitos indesejados dos juros negativos, um comentário que sinaliza que uma taxa de depósito escalonada também está em consideração.

O BCE agora usará as "próximas semanas" para estudar suas opções, disse ele, sugerindo que uma ação pode acontecer em breve.

Os comentários, interpretados pelos mercados como inesperadamente "dovish", derrubavam o euro em cerca de 0,3% em relação ao dólar, enquanto as ações devolviam as perdas anteriores e os rendimentos dos títulos caíam ainda mais, muitos para um território de mínima recorde.

Os mercados já precificam um corte de 15 a 25 pontos básicos na taxa de depósito do BCE já negativa em 0,40% - uma grande mudança em comparação ao início do ano, quando elevações dos juros ainda estavam em consideração.

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