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BC surpreende e mantém Selic em 6,5% com piora da cena externa

16 mai 2018
19h18
atualizado às 19h56
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O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 6,5 por cento ao ano, contrariando expectativas da maioria do mercado de um corte de 0,25 ponto percentual, argumentando que o cenário externo tornou-se mais desafiador.

Veja abaixo comentários de especialistas:

JOSÉ FRANCISCO GONÇALVES, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO FATOR:

"Eu não esperava. É uma situação daquelas que os membros do comitê podem argumentar que trabalharam no limite do julgamento. É o 'feeling' de cada um.

O peso do chamado choque externo foi maior do que a piora da atividade e da inflação, tanto corrente como nas expectativas. O ponto foi o choque cambial e não tenho a menor dúvida que eles não quiseram se arriscar. Agora, a Selic fica parada neste patamar e dependerá do efeitos do câmbio sobre a inflação, e isso está em aberto diante da atividade fraca. Continuou achando que a Selic só volta a subir em 2019."

MARCO CARUSO, ECONOMISTA, BANCO PINE:

"A decisão é muito baseada no cenário de riscos. Os condicionantes, excluindo o balanço de riscos, ainda trabalhariam a favor de um corte. Eles preferiram 'play safe', já que teve uma chacoalhada no balanço de riscos. Segue válido que, se não tiver um chacoalhão muito maior, se a gente não tiver um segundo chacoalhão, fica prevalecendo um cenário de Selic muito baixa."

CARLOS LOPES, ECONOMISTA, BANCO VOTORANTIM:

"Apesar de não ter sido a nossa projeção nem nossa expectativa, a decisão não chega a surpreender. Essa discussão estava na mesa, o BC havia sinalizado lá atrás que cabia mais um corte, dadas as condições econômicas, principalmente inflação, balanço de riscos e expectativas. O cenário externo evoluiu pior que o esperado, tanto para o mercado, quanto para o BC.

Agora, a gente chega num ponto em que o próximo movimento é pra cima. Ainda estamos muito longe do movimento, talvez na primeira metade do ano que vem. Mesmo que seja no início do ano que vem, é um horizonte bastante longo."

CELINA VANSETTI-HUTCHINS, DIRETORA-GERENTE PARA BANCOS NAS AMÉRICAS DA AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO MOODY'S

"A decisão do Banco Central de manter a Selic na mínima histórica de 6,50 por cento encoraja reduções dos juros bancários, uma vez que o custo de captação dos bancos diminui. Ao mesmo tempo, a continuidade da demanda limitada por crédito provocará uma redução gradual do spread bancário à medida que a concorrência entre as instituições se intensifica."

LUKA MACHADO BARBOSA, ECONOMISTA DO ITAU UNIBANCO MACRO RESEARCH

"O Copom decidiu terminar o ciclo deixando a taxa básica inalterada a 6,5 por cento ao ano (esperávamos um corte final de 25 pontos básicos). As autoridades basearam sua decisão, de acordo com o comunicado, na mudança do balanço de riscos determinada por uma alteração no cenário externo. Saberemos mais sobre o pensamento das autoridades na divulgação da ata do Copom. Ainda, parece que este é o piso da Selic e o próximo movimento, quando acontecer, será para cima."

DAVID BEKER, CHEFE DE ECONOMIA E ESTRATÉGIA DO BANK OF AMERICA MERRIL LYNCH NO BRASIL

"O BC fez o que tinha que ser feito. Tinha muita gente no mercado que achava que ele tinha que manter mas apostava no corte por causa da linguagem. Obviamente quando você lê o comunicado, você tem uma mudança importante no externo que explica essa decisão.

De acordo com a visão do mercado e do BC, a taxa de juros está abaixo da neutra. Então não é que a inflação baixa pesa menos do que o externo, porque mesmo com a taxa nesse nível, ele já está agindo para ajustar isso.

Acho que o cenário é que eles vão manter os juros até o fim do ano. Hoje a gente tem ele subindo no começo do ano que vem, sujeito a mudança dependendo do cenário eleitoral. Em relação a subida, acho que depende tanto do cenário externo quanto do eleitoral, mas eu diria que no fim das contas a discussão aqui é se o próximo governo vai implementar uma agenda de reformas."

MAURÍCIO MOLON, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO SANTANDER

"O Banco Central teve uma atuação de quem não quer adicionar volatilidade ao mercado... mantendo a taxa de juros mais elevada do que se esperava, ele acha que isso pode ter algum efeito de proteção da volatilidade de mercado e da taxa de câmbio... e no momento, tudo o que a gente quer é conter este processo de volatilidade que está trazendo incerteza."

"A Selic deve ficar em torno de 6,5 por cento até o segundo semestre do ano que vem. A gente está com uma folga... você tem muita folga de fatores de produção, um ponto de partida muito baixo da inflação e apenas no segundo semestre do ano que vem que a autoridade monetária olhando para frente vai ver uma inflação em linha com a meta, o que pode requerer trazer a taxa de juros para o patamar considerado neutro."

"Começa o processo de alta no segundo semestre do ano que vem e conclui no primeiro trimestre de 2020, segundo nosso cenário. Então, a taxa termina o ano que vem em 7,5 por cento mas, com esse processo de normalização, chega mais ou menos em 8 por cento ou 8,5 por cento em 2020."

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