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BB e Caixa vão deixar Febraban e avisam Guedes e Campo Neto

Motivo da saída se deve a um manifesto que a Fiesp deve publicar na terça-feira, 31, com um pedido de harmonia entre os três Poderes e que tem a Febraban como um dos signatários

28 ago 2021 19h02
| atualizado às 19h17
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O Banco do Brasil e a Caixa resolveram deixar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e já avisaram a decisão ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conforme fontes ligadas aos dois bancos ouvidas pelo Estadão/Broadcast. O motivo da saída se deve a um manifesto que a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deve publicar na terça-feira, 31, com um pedido de harmonia entre os três Poderes e que tem a Febraban como um dos signatários. Para os bancos públicos, segundo essas fontes, "o documento tem tom político contrário ao governo".

Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala próximo a Bolsonaro e ao presidente do BC, Roberto Campos Neto
27/04/2020
REUTERS/Ueslei Marcelino
Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala próximo a Bolsonaro e ao presidente do BC, Roberto Campos Neto 27/04/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

O manifesto não citaria o governo Jair Bolsonaro, mas é encarado como um posicionamento contra a postura hostil tomada pelo presidente em relação ao Judiciário. O documento pede aproximação e cooperação entre Legislativo e Executivo e Judiciário, o enfrentamento da pandemia e ações econômicas.

No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade ao presidente Jair Bolsonaro.

A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban. BB e Caixa foram contrários ao manifesto na votação da Federação. Eles entendem que os privados, não só nesse caso, vinham impondo sua vontade, muitas vezes contra o interesse dos bancos públicos. "E essa história funcionou como a gota d'água". Agora, pensam em criar uma associação nacional dos bancos públicos.

A cúpula dos dois bancos oficiais contesta uma parte específica do manifesto: "As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população".

Para eles, "o Brasil já está crescendo, a economia está em 'retomada em V' e já está gerando empregos" e, portanto, o manifesto não faz sentido.

Nas duas instituições, há uma ala que se preocupa se a saída pode ser questionada por órgãos de controle, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público Federal (MPF), ficando caracterizado como ingerência política. Além disso, o desligamento dos dois maiores bancos da associação que representa as instituições financeiras pode ter consequências em "objetivos comuns", como a reforma tributária, em que todos estão do mesmo lado.

Estadão
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