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Bastidores: Em crise da Petrobrás, silêncio de Guedes não é cara feia, mas lealdade a Bolsonaro

Apesar das especulações de que o ministro teria colocado o cargo à disposição e ficado irado com o chefe, Guedes, na realidade, saiu novamente em defesa do presidente

22 fev 2021
20h00
atualizado às 20h21
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BRASÍLIA - Arrastado para o centro do turbilhão provocado pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de meter o "dedo" na Petrobrás e na Eletrobrás, o ministro da economia, Paulo Guedes, pode até ter perdido a bandeira da agenda liberal, mas sua relação de lealdade com o presidente Jair Bolsonaro segue apesar do desgaste.

O mercado e a rede de intrigas de Brasília especularam que o ministro teria colocado o cargo à disposição, ficado irado com o chefe, e fosse o "tubarão" que Bolsonaro prometeu demitir, mas longe disso. A interlocutores, o ministro saiu novamente em defesa do presidente. O argumento: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff também fizeram suas intervenções na Petrobrás. Ou seja, quem apostou que o silêncio do ministro poderia ser lido como uma reação à interferência na empresa errou feio.

O limite de Guedes para ficar no governo é outro: a aprovação pelo Congresso da PEC que autoriza a retomada do pagamento do auxílio emergencial e estipula um "protocolo de crise" para o futuro, em que medidas de cortes de despesas, como o congelamento dos salários dos servidores, poderão ser acionadas automaticamente. É justamente para não "conturbar" a votação da PEC que Guedes decidiu ficar em silêncio. Até mesmo porque sua posição sobre a Petrobrás é mais polêmica do que a do presidente: deveria ser privatizada.

Os técnicos recomendam que ele não aceite a edição do crédito extraordinário para bancar o auxílio sem que a PEC esteja aprovada no Senado e na Câmara. Essa possibilidade tem sido discutida por lideranças políticas, mas traz riscos jurídicos. Como Guedes já cedeu nas negociações e aceitou dar o auxílio sem contrapartidas no curto prazo, há desconfiança por parte de seus auxiliares de que ele possa, novamente, consentir com a pressão política.

O secretário de Orçamento Federal, George Soares, tem sido uma fonte de resistência por conta da experiência do passado com as manobras contábeis feitas durante o governo Dilma Rousseff e que levaram à condenação pelo Tribunal de Contas da União e ao impeachment da petista.

Essa resistência tem alimentado especulações de que Soares, um dos mais experientes técnicos do Ministério da Economia, está na mira do presidente Jair Bolsonaro. Uma eventual saída do secretário, porém, estaria muito mais atrelada à decisão de não aceitar atropelos nas regras fiscais do que a uma exigência do presidente da República.

Os técnicos também veem a necessidade de compensação da desoneração de tributos incidentes sobre o diesel, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), outro ponto de atrito do Ministério de Guedes com o presidente Bolsonaro.

No Congresso, Guedes tem tido apoio em público do presidente da Câmara, Arthur Lira (PL-AL), que defendeu a sua desvinculação orçamentária de recursos da saúde e da educação, mas aliados de Bolsonaro, nos bastidores, relatam o desgaste do ministro. Para esses observadores, o futuro de Guedes no governo estaria mais atrelado à possibilidade de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, aceitar um convite de Bolsonaro para assumir o comando do Ministério da Economia. Muito próximo de Guedes e mais fiscalista do que ele, Campos não gosta nem mesmo de ouvir essa possibilidade.

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Estadão
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