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Banco Central da Turquia anuncia medidas para sustentar lira após desvalorização

Uma das ações será a elevação dos limites de depósito de garantia das operações com liras dos bancos, que passará de 7,2 bilhões de euros para 20 bilhões de euros

13 ago 2018
04h17
atualizado às 11h38
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SÃO PAULO - O Banco Central da Turquia anunciou, nesta segunda-feira, 13, medidas para conter a desvalorização da lira turca e para dar "toda liquidez necessária a bancos". Após o anúncio, a moeda do país reduziu brevemente as baixas.

Entre as ações, o BC turco citou a elevação dos limites de depósito de garantia das operações com liras dos bancos de 7,2 bilhões de euros para 20 bilhões de euros.

A autoridade também reduziu os índices de exigência de reserva de lira em 250 pontos base para todas as faixas de vencimento e disse que os leilões tradicionais de recompra ou de venda de depósito podem ser mantidos com vencimentos máximos de 91 dias, se necessário.

Além disso, o BC turco afirmou que, em dias com maior necessidade financiamento, mais de um leilão de recompra pode ser realizado, com vencimentos entre 6 e 10 dias. Também será possível que os bancos façam empréstimos em moeda estrangeira no vencimento de um mês, além do tradicional prazo de uma semana.

"O Banco Central vai monitorar de perto o movimento do mercado e as formações de preços e tomará as medidas necessárias para manter a estabilidade financeira, se preciso", disse o comunicado.

Segundo o BC turco, a redução do compulsório significa uma injeção bilionária no sistema financeiro do país. A instituição calcula que as mudanças proporcionarão a entrada de 10 bilhões de liras turcas, US$ 6 bilhões e o equivalente a mais US$ 3 bilhões em liquidez em ouro para o sistema financeiro local.

O órgão decidiu agir em meio a mínimas recordes da lira e de outras dificuldades enfrentadas pela economia e pelo mercado financeiro local. Há desconfiança entre investidores sobre a atuação do banco central, que relutou anteriormente em elevar os juros, mesmo diante de um quadro de inflação em alta. A lira turca já perdeu mais de 80% no ano ante o dólar.

Além disso, o país enfrenta rusgas diplomáticas com os Estados Unidos, que resultaram em mais tarifas ao aço e ao alumínio turcos, conforme anúncio da sexta-feira, 10, do presidente americano, Donald Trump. Ainda na sexta-feira, a Casa Branca disse que a tarifa de importação de aço da Turquia subiria de 25% para 50% já a partir de hoje.

O governo turco tem criticado duramente o comportamento dos americanos, enquanto Washington exige a libertação de um pastor americano, Andrew Brunson, atualmente sob prisão domiciliar na Turquia sob suspeita de terrorismo. Houve nesta manhã relatos de que o religioso poderia ser libertado, o que ainda não foi confirmado oficialmente.

Enquanto isso, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou os EUA de "esfaquearem a Turquia pelas costas" e disse que algumas pessoas fazem "terrorismo econômico nas redes sociais", algo que ele pretende punir.

Proibição no mercado de ações

A Bolsa de Istambul anunciou em comunicado nesta segunda-feira a proibição de operações de venda a descoberto de ações que integram o índice BIST 100, a partir da terça-feira. A decisão é adotada em meio a um quadro de forte pressão nos mercados locais, por causa de uma crise econômica e financeira e da tensão geopolítica com os Estados Unidos.

A venda a descoberto é uma estratégia que consiste na venda de uma ação que não se possui na carteira, esperando que o preço caia para então comprá-la de fato e lucrar com a diferença na transação.

Na nota em seu site, a bolsa afirma que fará "todo o esforço para garantir que nossos mercados operem em um ambiente eficaz, confiável e transparente". A instituição afirma ainda que serão adotadas "todas as medidas necessárias contra intervenções de mercado a tempo e com determinação", complementando que serão realizadas avaliações no escopo da legislação

Alta de juros

As medidas do Banco Central da Turquia anunciadas nesta segunda-feira não ajudarão a conter a queda da lira e "aumentam o pânico" nos mercados, na avaliação do Rabobank.

"O mercado estava procurando um aumento de juros entre 10 e 15 pontos percentuais e, em vez disso, obteve mais liquidez da lira, quando o problema é a falta de liquidez em dólar", diz o documento.

Para analistas do Julius Baer, "a demonização das taxas de juros por Erdogan é particularmente perigosa, já que estabelece um alto nível para a taxa de câmbio, a partir da qual o banco central não terá escolha senão aumentar as taxas de forma agressiva".

Os especialistas do banco suíço afirmam ainda que "o nível atual de juros de 17,7% é claramente insuficiente para reverter a queda da lira, que perdeu cerca de 40% neste ano em relação ao dólar norte-americano".

Para analistas do Deutsche Bank, embora os problemas bancários na Turquia possam causar efeitos negativos sobre os bancos da zona do euro, eles não devem levar a uma crise de crédito. / COM DOW JONES NEWSWIRES

Estadão

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