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Aversão ao risco cresce no exterior, mas alta dos juros longos é limitada

7 mai 2019
18h23
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O mercado de juros não escapou da influência negativa do aumento da aversão ao risco no exterior, mas o contágio na curva foi considerado limitado e mais concentrado na ponta longa. As taxas oscilaram com viés de alta até o fechamento da sessão regular, desta terça-feira, 7, fatores internos como principais escudos diante o temor de recrudescimento da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Além do pessimismo sobre a atividade, que na segunda já ancorava os juros perto dos ajustes, houve uma melhora na perspectiva para a tramitação da reforma da Previdência nesta véspera do início das discussões sobre a proposta na comissão especial da Câmara. As taxas curtas ficaram estáveis.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,445%, de 6,440% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 fechou estável em 7,04%. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 8,152% para 8,18% e a do DI para janeiro de 2025, de 8,672% para 8,70%.

O dia começou um pouco mais tenso na questão política diante da repercussão da subida de tom nas discussões entre o escritor Olavo de Carvalho e militares do governo Bolsonaro, e pela aversão ao risco no exterior. Enquanto os mercados internacionais sustentaram o nervosismo durante toda a sessão, os ruídos políticos foram absorvidos na etapa vespertina na medida em que os investidores acompanhavam o noticiário em torno da Previdência.

O economista-chefe da área institucional da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal, destacou a repercussão positiva da notícia sobre a Medida Provisória (MP) que reorganiza a estrutura dos ministérios, que, na sua visão, pode ajudar na aprovação da reforma da Previdência. "A fala do Fernando Bezerra foi fundamental para limitar o contágio", disse. O relator da MP, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), fez 18 alterações no texto para atender a demandas de parlamentares, abrindo espaço para a recriação de alguns órgãos.

Em outra frente, a comissão especial da Câmara se reuniu para definir um calendário para os trabalhos no colegiado. A ideia é que sejam realizadas 10 audiências públicas até o dia 29 de maio. Se aprovado o plano, serão três audiências por semana. Nesta quarta, a comissão terá a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes. "Vamos ver se na comissão o governo vai atuar de maneira mais coesa, mais madura, respondendo menos às provocações da oposição e tornando o debate mais objetivo", disse Rosal.

O pessimismo sobre a atividade econômica também não abre espaço para acúmulo de prêmios na curva, que continua precificando estabilidade para a taxa Selic nos 6,50% tanto nesta quarta, na decisão do Copom, quanto ao longo de 2019.

Estadão
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