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Auxílio fora do teto eleva risco de mudança na equipe econômica, diz ex-secretário do Tesouro

Segundo Carlos Kawall, 'quem está em cargo de confiança não fica em governo em que acha que está fazendo coisas erradas'; ele acredita que proposta abre brecha para que mais despesas fiquem fora da regra fiscal

19 out 2021 11h47
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Uma eventual ampliação de benefícios para a população de baixa renda com parte dos recursos fora do teto de gastos, como vem sendo discutido pelo governo, seria muito negativa e, no limite, aumenta as chances de mudanças na equipe econômica, inclusive do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo o ex-secretário do Tesouro Nacional e diretor da ASA Investments, Carlos Kawall.

"Há os limites da equipe econômica. Quem está em cargo de confiança não fica em governo em que acha que está fazendo coisas erradas. No limite, pode gerar uma mudança da equipe econômica. Sem querer ser dramático, está cada vez mais parecido com o momento do governo Dilma de saída do Levy (Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda)", diz, acrescentando que as mudanças, no limite, poderiam abarcar o ministro Guedes.

Kawall ainda afirma que autorizar parte do benefício fora do teto de gastos abre a brecha para que mais despesas não sejam limitadas pela inflação. Como revelou o Estadão/Broadcast, a ideia é complementar o benefício contido no orçamento atual do Bolsa Família com uma parcela de R$ 100 dentro do teto e uma de, em média, R$ 100, fora da regra que limita o crescimento das despesas à inflação. Na parcela extrateto, o governo trabalha para travar seu custo em R$ 30 bilhões.

"Coloca o risco de não parar por aí. O que garante que não vai ser R$ 60 bilhões, R$ 90 bilhões ou R$ 100 bilhões fora do teto, como muita gente tem defendido, caso houvesse prorrogação do auxílio emergencial em 2022. O valor de R$ 30 bilhões é expressivo, mas, do ponto de vista da política, há quem entenda que é baixo", diz.

Em um contexto de piora fiscal, Kawall avalia que o "leilão de dólar nunca vai conseguir evitar piora do mercado". O economista lembra que o Banco Central anunciou o leilão de dólar à vista para esta manhã antes das notícias negativas sobre o desenho do Auxílio Brasil. "O leilão já estava dado. Com as notícias negativas, o dólar, mesmo assim, está subindo, na contramão das moedas emergentes. Por mais que o BC faça, com incerteza fiscal, não tem como segurar."

Kawall ainda acrescenta que a mensagem do Banco Central na política monetária é de que vai aumentar a taxa básica de juros da economia ao ritmo de 1 ponto porcentual até ficar satisfeito para convergência da inflação à meta. "O que está sendo sinalizado na área fiscal afeta negativamente o balanço de riscos e pode sugerir Selic acima de 9%, que é o nosso cenário base."

Estadão
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