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Audi retoma operações no Paraná, mas vai montar dois carros apenas com peças importadas

Empresa investiu R$ 100 milhões para reabrir linha de montagem que estava parada há 1,5 ano; inicialmente produção será em regime de SKD, sem agregar componentes nacionais

29 jun 2022 - 16h39
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Com investimentos de R$ 100 milhões, a Audi reinaugurou nesta quarta-feira, 29, a linha de montagem de carros em São José dos Pinhais (PR) no mesmo complexo em que a Volkswagen, dona da marca de luxo, produz o modelo T-Cross.

A retomada ocorre com o utilitário-esportivo (SUV) Q3 e o hatch Q3 Sportback, mas em forma de SKD, ou seja, uma semi montagem com conjuntos que virão da fábrica do grupo na Hungria, sem incorporação de peças locais.

"É um sistema eficiente, tecnológico e que faz mais sentido para produção em pequena escala para abastecer apenas o mercado local", diz Daniel Rojas, presidente da Audi do Brasil.

A linha terá capacidade para produzir 4 mil veículos por ano, em dois turnos de trabalho. Para este ano estão previstas de 1,3 mil a 1,4 mil unidades em um turno. A partir do próximo ano, quando a produção será ampliada, a linha deve operar com cerca de 200 funcionários e algumas contratações estão previstas.

Segundo Rojas, os dois novos modelos serão montados com tecnologias inéditas no País, como a tração integral chamada de "quattro" e a transmissão "tiptronic" de oito velocidades, que proporcionam trocas de marchas mais ágeis e confortáveis.

Os preços dos dois modelos não serão alterados por conta da produção local e vão seguir a tabela cobrado hoje das versões importadas, de R$ 316 mil para o Q3 e R$ 331 mil para o Q3 Sportback.

Fábrica parada

As operações da Audi ficaram paradas desde dezembro de 2020, quando a versão do A3 sedã fabricado no Paraná saiu de linha. A produção local de um novo produto dependeria de negociações com o governo federal para a devolução de créditos tributários acumulados desde 2012.

Rojas informa que as negociações com o governo para o pagamento de créditos de IPI continuam, "mas estão adiantadas". Por enquanto, a boa notícia é que deve ser anunciado em breve a redução de Imposto de Importações (II) para peças importadas em regime de SKD e CKD.

No caso dos CKD, que acrescenta itens produzidos no País, o imposto vai diminuir de 35% para 16% e, no SKD, para 18%. "É um primeiro passo por parte do governo em demonstrar boa vontade com o setor", afirma Rojas.

Hoje a Audi detém 11,5% do mercado de carros premium no Brasil, projetado este ano em cerca de 44 mil unidades. Com a montagem local, o executivo espera retomar a fatia de 13,9% que a marca tinha em 2019, mas o volume de vendas vai depender também da disponibilidade de componentes como os semicondutores.

Elétricos e híbridos

Para Rojas, a retomada de operações mostra que o Brasil segue sendo um mercado relevante para o grupo que projeta para o futuro a produção local de veículos híbridos e elétricos em sua única planta na América do Sul.

O grupo já comercializa quatro modelos eletrificados e novos produtos estão previstos, um deles para os próximos dias.

Com o investimento de R$ 100 milhões, o grupo alemão soma aportes de R$ 446 milhões desde a criação do Inovar-Auto (programa de incentivo à produção nacional) que trouxe levou a marca de volta ao Brasil em 2015 após ter encerrado sua primeira passagem como fabricante entre 1999 e 2006.

Na cerimônia de reinauguração nesta manhã participaram executivos da Audi, representantes do governo federal e autoridades locais, como o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.

Estadão
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