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Ata do Federal Reserve fica em segundo plano e Bolsa sobe 1,14%; dólar cai 0,5%

Banco central americano anunciou que a redução do programa de compra de ativos pode vir entre novembro e dezembro, com chance de alta dos juros para o fim de 2022

13 out 2021 14h36
| atualizado às 18h18
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Extremamente esperada pelo mercado, a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central econômico), teve pouco impacto no mercado local. Nesta quarta-feira, 13, na volta do feriado, a Bolsa brasileira (B3), teve forte ganho de 1,14%, aos 113.455,92 pontos, enquanto no câmbio, o dólar caiu 0,51%, a R$ 5,5091. Em Nova York, os índices também subiram, mas o cenário econômico mundial incerto ficou no radar dos investidores.

A expectativa mexeu com o dólar, que se descolou do movimento visto no exterior e subiu até R$ 5,5731 na máxima. O movimento foi contido pela mão pesada do Banco Central, com o anúncio da oferta de até US$ 1 bilhão em novos swaps cambiais (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), no momento em que a ata do Fed era divulgada. Após o movimento, ele desceu para a mínima do dia, a R$ 5,5001.

Analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast não acreditam que o BC tenha tentado defender certo nível para o dólar, mas atuado para prover liquidez e atenuar eventuais distorções na formação da taxa de câmbio. O head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weig, ressalta que dois principais pares do real - o rand sul-africano e peso mexicano - subiam com força enquanto a moeda brasileira se enfraquecia. "Havia muito fluxo comprador [de dólares] hoje e o BC entrou para suprir essa demanda", diz Weig, ressaltando que o BC não tenta defender um valor da taxa de câmbio e atua "quando o mercado está disfuncional ou quando vê uma demanda pontual".

Na mesma linha de raciocínio, o head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, Alexandre Netto, não viu na atuação do BC uma tentativa de defender determinado patamar para a taxa de câmbio. "Esse BC não tem como característica intervir para defender o nível do dólar, mas para prover liquidez em momentos de distorção", diz Netto.

Pela manhã, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, reiterou que o BC não interfere no câmbio para combater a inflação, papel que cabe ao manejo da taxa Selic no regime de metas. "Não faremos isso [intervir no câmbio para controlar a inflação].

No exterior, o índice DXY - que mede a variação do dólar frente a seis moedas fortes - operou em queda firme ao longo de todo o dia, flertando com o rompimento do patamar dos 94,000 pontos. A moeda americana também recuou em bloco frente às divisas emergentes (à exceção da lira turca), com perdas de mais de 1% em relação ao rand sul-africano, ao peso mexicano e ao peso chileno.

Esse comportamento não mudou após a divulgação da ata do Fed. Alguns dirigentes presentes na última reunião levantaram a possibilidade da entidade elevar a sua taxa de juros no fim de 2022. Segundo eles, as metas de inflação e emprego do Fed podem ser atingidas neste período. Eles também discutiram ainda duas possibilidades para a redução do programa de compra de ativos, o "tapering". Se o anúncio ocorrer na próxima reunião de política monetária, o processo poderia começar no meio de novembro ou em meados de dezembro.

As decisões do Fed, porém, seguem pressionadas pelo cenário econômico incerto. O índice de preços ao consumidor, principal indicador de inflação dos EUA, saltou 5,4% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano passado, número acima do esperado por economistas. De agosto a setembro, o índice subiu 0,4%, também acima das expectativas.

"O argumento transitório [da inflação] está enfraquecendo e essa tendência continuará a impulsionar as expectativas de aumento das taxas do Fed", disse Edward Moya, da Oanda. Alimentos e custo de moradia pressionaram os preços, mas a falta de insumos ainda preocupa. Hoje, o presidente Joe Biden, anunciou que os principais portos do país, localizados em Los Angeles e Long Beach, passarão a operar 24 horas por dia e sete dias por semana para aliviar os gargalos no transporte marítimo e também os preços.

Bolsas

O comunicado do Fed teve pouco efeito sobre os negócios. Em Nova York, por exemplo, o Dow Jones ficou estável (0%), mas o S&P 500 subiu 0,31% e o Nasdaq, 0,73%. Na Europa, a expectativa não mexeu com os índices de Londres, Frankfurt e Paris, que avançaram 0,16%, 0,68% e 0,75% cada. Na Ásia, os índices chineses de Xangai e Shenzhen tiveram ganhos de 0,42% e 1,29% cada, após as exportações chinesas superaram as expectativas em setembro, com um salto anual de 28,1%.

Por aqui, o Ibovespa mirou os 114 mil pontos, marca rompida no intradia na última sexta-feira pela primeira vez desde 27 de setembro e não alcançada em fechamento desde o último dia 23. Na semana e no mês, o índice mostra sinal positivo, com avanços respectivamente de 0,55% e 2,23%, limitando as perdas do ano a 4,67%.

"O Ibovespa bateu nos 114 mil pontos sem nada extraordinário que justificasse esse movimento, no cenário econômico, a não ser o histórico do mercado nos últimos meses, que apanhou muito com a perspectiva de elevação de juros e, aqui, também a incerteza sobre as contas públicas, o risco fiscal, que resultou em redução do fluxo estrangeiro e em toda essa volatilidade que a gente tem acompanhado", diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

O mercado segue com um pé atrás por conta das preocupações com a questão fiscal. Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a votação da PEC dos Precatórios ocorrerá na próxima semana e deve resultar em uma "vitória tranquila". Se a proposta for aprovada do jeito que está, será aberto um espaço de aproximadamente R$ 50 bilhões no Orçamento de 2022 - o que permitiria o pagamento das emendas parlamentares e a adoção do Auxílio Brasil sem que se rompesse o teto de gastos.

Entre as ações, Petrobras ON e PN subiram 1,78% e 1,06%, apesar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduzir sua previsão de alta na demanda global pelo óleo em 2021, para 5,8 milhões de barris por dia (bpd). Em resposta, o contrato do petróleo WTI caiu 0,25%, a US$ 80,44, enquanto o do Brent recuou 0,29%, a US$ 83,18 o barril.

Ganhos também para Bradesco ON, em alta de 0,51% e Itaú PN, de 0,12%, que acabaram neutralizando a queda da Vale, em baixa de 2,69%. O setor de siderurgia também foi penalizado hoje, com Usiminas cedendo 1,33% e CSN, 2,31%. Na ponta oposta, destaque para a recuperação observada tanto em Banco Pan, de 9,68%, como em Banco Inter PN, de 8,71%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL e MAIARA SANTIAGO

Estadão
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