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Ata ainda pesa; taxas curtas de juros têm viés de alta e longas, de queda

23 jun 2021 18h03
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Os juros futuros de curto prazo fecharam com viés de alta e os longos, em leve queda nesta quarta-feira. O dia foi de continuidade no processo de perda de inclinação desencadeado pelo sinal "hawkish" (mais duro) do Copom, especialmente na ata de terça-feira, que colocou na mesa a possibilidade de acelerar o ritmo do aperto da Selic nas próximas reuniões. O mercado continuou digerindo o documento nesta quarta-feira, que foi de taxas mais comportadas na primeira parte da sessão ancoradas pelo câmbio.

Na segunda metade, o clima de maior aversão ao risco lá fora trouxe volatilidade ao dólar e uma postura defensiva dos agentes na renda fixa. Os movimentos, contudo, ao longo do dia foram, em geral, moderados pelo compasso de espera pelo Relatório de Inflação (RI) na quinta-feira e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) na sexta.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou a sessão regular em 5,77%, de 5,747% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 7,278% para 7,31%. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 8,25% (8,235% na terça) e a do DI para janeiro de 2027 ficou em 8,63%, de 8,673%.

Para o estrategista da Tullett Prebon Vinicius Alves, o mercado na terça exagerou na precificação para a política monetária no curtíssimo prazo e nesta quarta tentou fazer um ajuste, o que explicaria a ponta curta mais comportada, até porque, segundo ele, é necessário aguardar para saber o que, de fato, a mensagem mais dura representa para os preços dos ativos, especialmente o câmbio. "Temos de esperar para ver como fica a inflação dos tradables", disse.

O dólar ajudou as taxas em parte do dia, tendo chegado à mínima de R$ 4,93, mas à tarde esteve volátil, chegando a operar em alta, o que impôs máximas para a curva.

O clima lá fora esteve mais pesado, com reforço nas discussões sobre quando os Estados Unidos devem reduzir os estímulos de liquidez, o que vai penalizar os mercados emergentes. Considerado da ala "dovish" do Federal Reserve, o presidente da distrital de Atlanta, Raphael Bostic, disse ter antecipado sua previsão para o início do ciclo de aperto monetário, esperando agora elevação da taxa básica de juros no fim de 2022 e outras duas em 2023.

O operador de renda fixa da Nova Futura Investimentos André Alírio afirma que o debate sobre a normalização dos juros norte-americanos traz muita incertezas aos ativos, mas na sua visão há ainda degraus a serem percorridos antes do efetivo aumento das taxas, entre eles o da redução no ritmo de compra de bônus (tapering) que o Fed admite já discutir. "Vejo um tom ainda moderado das autoridades", disse.

Estadão
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