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Após aprovação da MP do Frete, escoamento de safra segue lento

12 jul 2018
17h56
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Brasília, 12 - Associações que representam o agronegócio dizem que o escoamento de safra segue lento em boa parte do País, após a aprovação da MP do Frete (832/18) no Congresso, na quarta-feira, 11. "Não houve mudança nenhuma", afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho Goiás (Aprosoja), Bartolomeu Braz. Desde que o tabelamento de preços mínimos para o frete entrou em vigor, no fim de maio, em meio às negociações para o fim da paralisação dos caminhoneiros, o escoamento de safra tem acontecido lentamente, com produtores à espera da revogação da tabela e redução dos custos.

A assessora técnica de Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Elisangela Pereira Lopes, afirma que o tabelamento elevou os preços médios do frete em 40% e fez com que o número de caminhões nas estradas caísse drasticamente. Segundo ela, o ritmo na BR-163, uma das principais vias de escoamento da produção no País, passou de 950 caminhões por dia (média entre janeiro a maio) para 500 caminhões por dia em junho. "Normalmente, o ritmo é de fato menor em junho, mas é retomado em julho com o transporte do milho safrinha, o que não está acontecendo", afirmou.

Segundo Braz, os prêmios nos portos seguem em um nível recorde, devido à baixa oferta que tem chegado ao litoral para ser exportada. "O Brasil está perdendo uma grande oportunidade de exportar mais agora com a tensão entre Estados Unidos e China", afirmou.

A MP que foi aprovada na quarta pela Câmara e pelo Senado prevê anistia às multas de trânsito aplicadas aos caminhoneiros e empresas de transporte que não retiraram seus caminhões das rodovias entre os dias 21 de maio e 4 de junho deste ano. Já para quem contratou fretes, a anistia a multas pelo não cumprimento da tabela foi maior, entre 30 de maio e 19 de julho.

Para os representantes, esse período de anistia até o dia 19 para os contratantes do frete não deve ter influência no escoamento nos próximos dias. "É preciso um planejamento antecipado, o caminhão não fica na porta da fazenda esperando", afirmou a assessora da CNA. Braz também afirmou que a janela é muito curta para que haja aumento do volume transportado.

Ambas as entidades são contra o tabelamento e estão buscando recursos jurídicos para barrar a medida. A CNA entrou no dia 12 de junho no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a tabela e deve participar de uma nova audiência sobre o tema no dia 27 de agosto.

Estadão Conteúdo

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