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Maya Angelou é a primeira mulher negra a estampar uma moeda de dólar nos EUA

Nascida Marguerite Ann Johnson, Maya Angelou é uma das figuras mais emblemáticas na luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, que denunciava em suas poesias as violências enfrentadas pela comunidade negra

14 jan 2022 17h32
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A imagem está em preto e branco e enquandra o rosto de uma mulher negra, que está com as mãos juntas abaixo do queixo
A imagem está em preto e branco e enquandra o rosto de uma mulher negra, que está com as mãos juntas abaixo do queixo
Foto: Instagram/@drmayaangelou / Alma Preta

A poeta e ativista Maya Angelou será a primeira mulher negra a estampar as moedas de dólar de 25 centavos, uma das mais utilizadas nos Estados Unidos. A homenagem faz parte do programa "American Women Quarters", que celebra mulheres americanas de grande representatividade na história dos Estados Unidos, dentre elas Sally Ride, astronauta e primeira mulher a ir ao espaço; e Anna May Wong, primeira atriz de sucesso de ascendência asiática.

O ativismo de Maya Angelou foi marcado pela defesa dos direitos civis e da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos e a sua escrita denunciava as violências enfrentadas pela comunidade negra, além de compartilhar sobre as suas dores e traumas sofridos na infância.

Nascida em 1928, na cidade de Saint Louis, no estado do Missouri (EUA), Marguerite Ann Johnson (nome de nascimento de Maya Angelou) ficou muda aos oito anos, depois de ser estuprada pelo namorado da mãe, morto após ser espancado. Durante seis anos, Marguerite passou a se dedicar à escrita e à literatura, como uma forma de se curar do trauma do abuso.

Aos 15 anos, a estadunidense se tornou a primeira motorista negra de ônibus em São Francisco e foi mãe solo em um período em que o divórcio não era visto com bons olhos pela sociedade.

Foi roteirista, diretora, atriz, cantora, escritora e ativista do movimento negro contra a segregação racial junto com Martin Luther King Jr. e Malcom X.

Maya Angelou coleciona mais de 50 obras, entre poesias, autobiografias e livros de culinária e já foi premiada com cinco Grammys, uma indicação ao Prêmio Pulitzer, além de ser chancelada a mais de 30 títulos honorários.

Em 1992, apresentou o poema 'No Pulso da Manhã'durante a cerimônia de posse do ex-presidente Bill Clinton. Ela foi a primeira mulher negra a apresentar um poema em uma celebração presencial. Em 2010, o então presidente Barack Obama concedeu à Angelou a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria do país.

Ela morreu em 2014, aos 86 anos, em decorrência de problemas cardíacos e da saúde fragilizada.

Programa americano deve trazer novas homenageadas

As homenagens nas moedas são fruto de um projeto de lei da congressista democrata da Califórnia, Barbara Lee. Por meio da série "Prominent American Women" ("Mulheres americanas proeminentes", em tradução livre), as moedas trarão imagens de várias mulheres símbolos da luta pela igualdade, representatividade e direitos civis.

Moeda americana vai estampar a imagem de Maya Angelou | Foto: Departamento do Tesouro dos EUA via AFP

Segundo a Casa da Moeda, as novas moedas serão emitidas para uso diário nas cidades da Filadélfia e Denver e devem entrar em circulação em breve.

O programa "American Women Quarters" vai valer por quatro anos e a cada ano até cinco novos modelos de moedas podem ser desenhados, trazendo novas figuras de mulheres homenageadas.

Representatividade na literatura importa

Alma Preta
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