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'Fui entender o que é racismo no Brasil', diz homem negro acusado de furtar mochila na Zara

O pós-graduando Luís Júnior vai pedir uma indenização de R$ 1 milhão; "Só uma indenização em valor suficiente para abalar economicamente uma empresa do porte da Zara os fará evitar novas práticas de crimes dessa natureza", afirmou seu advogado

14 jan 2022 17h32
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A imagem mostra o pedagogo Luis Junior, acusado de furtar mochila na Zara
A imagem mostra o pedagogo Luis Junior, acusado de furtar mochila na Zara
Foto: Reprodução/Instagram / Alma Preta

"Fui perceber o racismo no Brasil", afirmou Luís Fernandes Júnior, de 28 anos. Natural da Guiné-Bissau, o jovem foi vítima do crime na Zara do Shopping da Bahia, no dia 30 de dezembro. Ele foi acusado de furtar a mochila que ele mesmo tinha comprado e vai pedir uma indenização de R$ 1 milhão pelo episódio. 

De acordo com um relato feito pelo jovem ao jornal Folha de S.Paulo, Luís foi retirado à força do banheiro da loja para acusá-lo de um crime que não cometeu. "Já por experiência de pessoas que morreram em razão disso, eu nem tentei colocar a mão no bolso para mostrar a nota fiscal da mochila, porque o segurança poderia atirar alegando que eu estava armado", conta. 

Em entrevista à Folha, ele afirmou que em seu país, a discriminação se trata mais de uma questão de privilégios econômicos e não tem referência ao tom de pele. "[Vem de] alguns cidadãos que herdaram poder de portugueses ou, então, daqueles que falam português com sotaque de Portugal e são vistos como mais inteligentes", explicou.  

Luís conta ainda que, "na educação dos meus pais e avós, aprendi que todos nós somos humanos, a cor da pele não importa". Ele chegou ao Brasil, há oito anos, para cursar pedagogia no Campus dos Malês, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em São Francisco do Conde (BA), onde, agora, é pós-graduando. 

"No Brasil, as políticas públicas me pareciam mais democráticas, muito embora a gente viva uma outra situação com o atual governo", reflete o estudante. Ele conta que o projeto pedagógico da universidade chamou atenção, pois, durante toda a vida ele teve uma educação baseada na ancestralidade. 

"Meu sobrenome, antes de Fernandes, era Mankua Kassakey. Mas minha família foi uma das assimiladas durante a colonização portuguesa. Meus avós, para que pudessem continuar com suas terras, tiveram que ser batizados pela Igreja Católica e mudar o nome". 

A Zara Brasil enviou nota na qual diz ter realizado uma investigação e demitido uma funcionária por violação dos protocolos, sem dar mais detalhes. Luís e seus advogados irão pedir uma indenização no valor de R$ 1 milhão pelo episódio. "Só uma indenização em valor suficiente para abalar economicamente uma empresa do porte da Zara os fará evitar novas práticas de crimes dessa natureza", afirmou o advogado.

A empresa já esteve envolvida em outros casos de discriminação. Em Fortaleza, a polícia apurou que uma loja da marca avisava aos funcionários por meio de um código anunciado por alto-falantes que havia alguém suspeito na loja, o que incluía pessoas negras.

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Alma Preta
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