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Eu sou a revolução

A série "Estudantes na Alma Preta" traz as histórias de jovens da rede estadual de ensino da Bahia narradas a partir da perspectiva deles

23 dez 2021 13h15
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Foto: Imagem: Alma Preta Jornalismo / Alma Preta

Essa é a história de uma menina mulher que seguiu seus instintos e sua cabeça, que passou por cima daqueles que desacreditaram dela, do patriarcado, quebrou tabus e que hoje luta em busca da revolução e representatividade na sociedade.

Meu nome é Suyse Freitas, tenho 17 anos, moro em Jiquiriçá, uma cidade pequena no interior da Bahia. Conclui o ensino médio em 2021 no Colégio Estadual José Malta Maia. Sou uma completa apaixonada por arte em todos os sentidos, meu corpo exala arte em mil formas, na dança, na música, no teatro e na poesia, a arte é o meu refúgio em meio ao caos.

Posso dizer que sou alguém adaptável, me adapto bem a qualquer meio e ambiente que eu esteja, pois não tenho apenas uma personalidade, sou cem em apenas uma Suyse, também sou geminiana, o que explica muita coisa. Descobri a beleza da comunicação a pouco tempo, mas, ao descobrir, percebi que ela sempre esteve comigo nos mínimos detalhes, desde ao ser a criança mais tagarela de todas ao ser hoje uma adolescente que grita por direito a voz. Essa sou eu! Na verdade, um pouco de mim.

Porém, como eu me tornei essa pessoa? Qual foi a minha trajetória até aqui?

Eu comecei a minha história com a observação, sempre fui muito observadora, nunca aprendi nada tendo que passar por determinada situação e quebrar a cara, sempre aprendi vendo pessoas a minha volta passarem e levava de aprendizado para não cometer o mesmo erro.

Eu sou uma adolescente como outro qualquer, gosto de festa, gosto de estar com amigos, gosto de me divertir e viver demais, e por esse motivo, fui alvo de desrespeito, de dúvidas e do desacreditar na sociedade comigo. Passei por uma fase onde fiquei mais calada e por esse motivo ninguém acreditava no meu potencial, eu vi professores, amigos e principalmente familiares desacreditarem de mim. Eu tinha tudo para cair e fraquejar, tinha tudo para pegar aquelas palavras e colocar na minha cabeça.

Eu vi sob meus olhos o mundo desabar, eu não tinha aprovação de ninguém, fui vítima do machismo e abuso de pessoas próximas a mim, passei por situações constrangedoras por ser mulher e por buscar o que é meu por direito e eu tinha tudo pra desistir. Entretanto, existia uma pessoa que ainda acreditava em mim, que não soltou minha mão nem por um segundo e não duvidou no meu potencial e por ela eu estou aqui hoje!

Hoje, eu sou uma mulher completamente independente emocionalmente e uma mulher realizada com suas conquistas. Hoje, sou vice-líder de classe, de colégio, de município e de território. Sou coordenadora de uma pastoral de comunicação, coordenadora de uma comissão de arte e cultura e membro da comissão de comunicação.

Desenvolvo projetos voltados à educação e lutas femininas, participo de eventos importantes para educação da rede pública, pretendo dar palestras sobre minhas vivências e perspectivas de vida para incentivar e inspirar outras pessoas. Consegui tudo isso por mérito próprio e com consciência que vou evoluir cada vez mais para me tornar a mulher que eu sempre quis e sonhei.

Lembram da pessoa que eu disse que nunca desacreditou de mim no início do texto? ESSA PESSOA SOU EU!

Eu consegui mostrar para todos aqueles que duvidaram de mim o quão grande é a minha sagacidade e inteligência. E agora com orgulho no peito escrevo este texto para aqueles que um dia duvidaram de si mesmo. Acredite em você.

Você é a revolução que o mundo precisa! Seja a pessoa que você sempre quis ser!

Foto: Acervo Pessoal

Sobre a autora: Suyse de Freitas é uma jovem de 17 anos, moradora da cidade de Jiquiriçá, na Bahia, e estudante do Ensino Médio na Escola Estadual José Malta Maia.

Alma Preta
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