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Comunicação: Ato de resistência em tempos de silenciamento

A série "Estudantes na Alma Preta" traz as histórias de jovens da rede estadual de ensino da Bahia narradas a partir da perspectiva deles

16 dez 2021 15h45
| atualizado às 16h24
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Foto: Imagem: Alma Preta Jornalismo / Alma Preta

Sou de uma família humilde e nada tradicional. Fui criada por 4 mulheres incríveis e guerreiras que me ensinaram e me ensinam com maestria a importância de preservar os meus valores. Essas 4 mulheres são: Ana Márcia, Cleonice Conceição, Fabíola Todesca e Cleonice Oliveira. Pessoas a quem devo tudo que sou e que serei um dia, a minha fortaleza e porto seguro.

Aprendi a ler aos 3 anos de idade, e com 5 já era considerada uma das mais tagarelas da turma. Com 10 fui oradora da minha formatura, aos 13 comecei a escrever poesias e hoje estou escrevendo o meu primeiro livro. Na infância, minha brincadeira favorita nunca foi amarelinha ou boneca, e sim fingir ser jornalista, escritora ou simplesmente imaginar um mundo novo, só meu.

O bullying fez parte do meu amadurecimento, apesar de ser sociável, infelizmente nem sempre somos bem aceitos quando somos diferentes. Mas junto com a minha adolescência, veio o meu protagonismo e finalmente comecei a me reconhecer como personagem principal da minha história.

Junto com grandes amigos consegui ocupar espaços e alcançar pessoas que nunca, nem nos meus melhores pensamentos, cogitei alcançar. Sou vice-coordenadora e uma das fundadoras da CCOM (Comissão de Comunicação dos Líderes de Classe), co-fundadora do Projeto Purple e membro da ONG Educando.

Sempre me questionei sobre quem sou e escrever sobre mim é um desafio incalculável. Hoje entendo que na verdade não "sou", simplesmente, "estou sendo". Mas ainda assim, assumo que além de estar sendo, eu sempre, durante toda a minha vida, fui uma completa apaixonada por comunicação. Hoje e agora me reconheço como alguém que dança de acordo com a própria música, alguém tem fé no mundo e na humanidade das pessoas, uma intelectual que não tem medo de mostrar que se importa. Uma menina simples de uma cidade pequena que tem sonhos que talvez pareçam intangíveis, mas que podem ser realizados.

Quem sabe a importância de comunicar nunca será silenciado e quem sabe que o direito à informação precisa ser garantido, em nenhuma hipótese, deixará de comunicar. E isso vai muito além de uma frase bonitinha escrita por uma adolescente sonhadora. Isso é realidade.

Hoje sei o quanto acredito que posso ser comunicadora, o que é uma ato de coragem, quando tudo à nossa volta parece extremamente viciante e igualmente vazio, querer fazer a diferença soa assustador, mas ter a certeza do que ser quer é resistência.

Foto: Acervo Pessoal

Sobre a autora: Maria Eloiza Oliveira Ferreira é uma jovem de 16 anos, moradora da cidade de Amélia Rodrigues, na Bahia, e estudante do Ensino Médio da Escola Estadual Maria Teófila.

Alma Preta
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