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Beatriz Milhazes  Foto: Cauê Ito

O Jardim gráfico de Beatriz Milhazes invade a Pina Estação: Gravuras do acervo da Pinacoteca revelam o diálogo entre arte e técnica ao longo da carreira da artista

As obras expostas são fruto de uma colaboração de mais de duas décadas com o impressor Jean-Paul Russell, da Dunham Press, na Pensilvânia

Imagem: Cauê Ito
  • Maria Rosa Teles
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22 mai 2026 - 20h19

A Pinacoteca Estação, em São Paulo, abre suas portas para celebrar a trajetória de uma das artistas brasileiras mais prestigiadas no cenário internacional. A exposição "Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo" reúne 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, oferecendo ao público uma visão inédita e completa de um ciclo criativo que une a sofisticação da pintura ao rigor técnico da serigrafia.

Quantos artistas plásticos você já viu sendo reconhecido ao vivo e dando autógrafo a uma criança? Quem esteve na abertura da exposição “Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo”, no último sábado, 16, pôde dizer que já vivenciou tal cena.

Ao entrar discretamente no prédio da “Pina Estação”, Beatriz é abordada por um menino de idade entre 7 e 8 anos, que carregava um catálogo seu, em busca de um autógrafo. A reação foi de quem, apesar dos quase 40 anos de carreira, ainda não se acostumou com o impacto da sua arte na vida das pessoas.

Renato Menezes e Beatriz milhazes
Renato Menezes e Beatriz milhazes
Foto: Cauê Ito

Para o curador da exposição, Renato Menezes, é uma honra ter esta coleção em exibição na Pinacoteca. “Quando a gente pensou em Beatriz, na nossa primeira conversa, a gente já entendeu que seria importante enfatizar essa trajetória”, diz. Para Renato, é possível acompanhar o “ateliê mental” da artista, a partir das diferentes formas que as matrizes são usadas. Um panorama entre a pintura (técnica central da artista), seu desenvolvimento na serigrafia e a história do mundo.

A Alquimia da Serigrafia

Central na mostra, a técnica da serigrafia é descrita por Milhazes como um campo de experimentação que desafia a frieza industrial. "A serigrafia é uma técnica que não veio do mundo da arte. Ela veio da publicidade, da estamparia... quem trouxe foi a chamada Arte Pop", explica a artista. Para ela, o desafio reside em transpor seu universo floral e de grafismos para o meio impresso sem perder a complexidade cromática, muitas vezes exigindo que a obra passe "100 vezes na prensa" para alcançar a sobreposição de camadas ideal.

Parceria Transatlântica: A Conexão Dunham Press

As obras expostas são fruto de uma colaboração de mais de duas décadas com o impressor Jean-Paul Russell, da Dunham Press, na Pensilvânia. Segundo Jean-Paul, presente na abertura, o que começou em 1996 como uma 'aventura' marcada pela barreira linguística — já que o inglês da artista era básico na época — transformou-se em uma sinergia criativa fundamental.  "Preciso desse técnico, desse impressor. A comunicação entre esses dois universos é fundamental para essa nova leitura da linguagem", afirma Beatriz, ressaltando que, ao contrário do sistema brasileiro onde o artista muitas vezes monta seu próprio ateliê, nos Estados Unidos a troca técnica é o que permite a sofisticação da obra.

Jean-Paul, oriundo da Pop Art e discípulo de Andy Warhol, que conheceu Beatriz em sua primeira exposição individual em Nova York através de amigos em comum, diz que percebeu o talento da brasileira a partir da primeira impressão. “Foi difícil chegar à mesma textura da pintura dela. As obras tinham suas afinidades. A segunda impressão foi mais difícil, porque ela colocou mais elementos. Então nós fizemos essas prints menores. Existe uma progressão real no processo”, relembrou durante a abertura.

Um Legado para o Brasil

A reunião destas 27 obras no acervo da Pinacoteca é a realização de um desejo da própria artista. O processo de doação começou em 2009, após a retrospectiva de Beatriz na mesma instituição em 2008, quando ela se impressionou com a estrutura de conservação de papel do museu. Ao decidir manter sua base no Rio de Janeiro, apesar do assédio do mercado nova-iorquino nos anos 90, Milhazes reforçou seu compromisso com a arte brasileira. "É a realização de um sonho ver todas elas dentro de uma coleção institucional", confessa a artista, que hoje se divide entre uma "vida em Inglês e uma vida em Português", mas mantém o foco e a honestidade com seus princípios como bússolas de sua carreira internacional.

A exposição, que conta o patrocínio da Vivo por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, fica em cartaz na Pina Estação até 14 de março de 2027.

Fonte: Velvet Conteúdos da revista Velvet
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