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Pocs, Tiago e Vyni incomodam quem só tolera gay discreto

Preconceito contra afeminados acontece até dentro do próprio meio LGBTQIA+

27 jan 2022 15h07
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Vyni e Tiago: a liberdade de ser o que se é
Vyni e Tiago: a liberdade de ser o que se é
Foto: Blog Sala de TV

Há um bordão usado em vídeos no TikTok: “Para de ser gay, hein”. Usuários o utilizam de maneira cômica quando extrapolam a ‘gayzice’ tolerada socialmente. A reprimenda engraçada espelha uma realidade cruel.

Homossexual recatado é aceito e estimulado a continuar impercebível, já a bicha que destoa do ‘padrão hétero’ desperta rejeição afetiva, olhares de reprovação, comentários homofóbicos e vira alvo fácil de agressão física.

Na segunda temporada da série ‘Love, Victor’, do canal Star+, o jovem Rahim (Anthony Keyvan) marca um encontro com um rapaz por meio de um aplicativo gay.

Frente a frente, ele não disfarça o nervosismo e a empolgação, mas logo sofre um constrangimento. “Você é diferente do jeito que eu imaginei”, diz o crush.

“O jeito que você fala... O jeito que você é. Desculpa, eu normalmente fico com caras que são mais másculos. Sem ofensas. É só minha preferência.” O bonitão dá as costas e vai embora. Rahim fica desolado.

No ‘BBB22’, os afeminados são representados por Tiago Abravanel e Vyni. Eles têm orgulho de ser ‘poc’, gíria para o gay com trejeitos que faz questão de evidenciar sua orientação sexual.

Esses homens sem medo de ser o que são sofrem discriminação nos ambientes heteronormativos e dentro da própria comunidade LGBTQIA+, onde há supervalorização da virilidade associada ao papel ativo no sexo.

‘A afeminada’, como se diz no meio, frequentemente é desprezada nos apps e em baladas, e muitas vezes se torna vítima de deboche por onde circula.

Uma amostra desse preconceito foi uma análise do comentarista Adrilles Jorge, do ‘Morning Show’, da Jovem Pan, a respeito do comportamento de Abravanel no reality show. 

O neto de Silvio Santos causou frenesi dentro e fora da casa do ‘BBB22’ ao surgir de sunga com as cores do arco-íris – em referência à bandeira do orgulho LGBTQIA+.

“O Tiago está muito gay. Ele não era tão gay assim. Está afetadinho e desmunhecado”, disse. “É um grande ator, era mais discreto. Não sou homofóbico, mas acho que ele está forçando para falar com uma base LGBTQIA+. Não precisa ser tão gay assim.”

Gay declarado, o âncora Juliano Dip, da Band News, postou um vídeo no Instagram com reflexão sobre o caso. “Definitivamente, a homossexualidade não é algo que se meça por escala”, afirma. “Mais gay, menos gay, hipergay, mega gay, afetado, discreto... Isso pode existir na cabeça de ignorantes.'"

Ao ser questionado se já havia namorado, Vyni foi irônico a respeito: “Nunca, por opção... dos outros”. O homossexual facilmente identificável costuma ter dificuldade em iniciar relacionamento amoroso. A preferência é pelo gay discreto, que não chame atenção na rua.

Uma pesquisa com leitores da revista britânica ‘Attitude’, voltada à diversidade sexual, revelou que 71% dos gays não se sentem atraídos por homem com algum sinal de feminilidade.

“Os afeminados despertam ódio porque expressam o lado feminino que os machistas não aceitam. O jeito que eles falam, se comportam e se vestem incomoda quem é lgbtfóbico”, explica o ativista Agripino Magalhães. Há também muito machismo entre os gays.

Agripino e Pedro: mostrar-se gay gera incômodo social
Agripino e Pedro: mostrar-se gay gera incômodo social
Foto: Reprodução

Existe um termo para essa aversão às pocs: afeminofobia. Trata-se do desprezo pela pessoa que foge, pouco ou muito, de seu papel de gênero. Por exemplo, o homem gay que ‘dá pinta’ com gestos vistos como exclusivos das mulheres.

Para a maioria dos afeminados, ser fiel à própria natureza é a melhor militância contra o preconceito. “Tive amigos que se ofereceram para me ensinar a andar e falar como ‘homem’, porque para eles, tudo o que eu fazia era muito mulherzinha”, contou o ator Pedro Vinícius, o Michael de ‘Malhação - Vidas Brasileiras’, ao jornal ‘Extra’.

“Eu sou mesmo muito mulherzinha, bichinha, afeminado, viadinho. Tudo isso eu sou, e me orgulho.”

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