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Há 30 anos, Globo estreava minissérie histórica sobre a Aids

‘O Portador’ focava no drama de quem descobria ter o HIV em época de muitas mortes de famosos pela doença

16 set 2021 09h37
| atualizado às 09h39
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A televisão comete grave omissão ao falar pouco sobre a Aids. A temática deveria ter mais espaço nos telejornais e nas novelas, principais fontes de informação e entretenimento de quem consome muitas horas diárias da programação do veículo de comunicação mais popular do País.

O personagem Léo (Jayme Periard) representou a esperança a quem vivia com o HIV e a importância de combater o preconceito
O personagem Léo (Jayme Periard) representou a esperança a quem vivia com o HIV e a importância de combater o preconceito
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Em setembro de 1991, a Globo deu imensurável contribuição para o esclarecimento sobre a síndrome ao colocar no ar a minissérie ‘O Portador’, escrita por José Antônio de Souza e com direção-geral de Herval Rossano. Foi a primeira produção ficcional inspirada na epidemia da Aids. Na época, o assunto era proibido na maioria das casas brasileiras.

A narrativa gira em torno de Léo (Jayme Periard), um empresário contaminado pelo HIV ao receber transfusão de sangue após se tornar vítima de um acidente aéreo. Depois do choque inicial do diagnóstico, ele começa uma jornada para descobrir quem foi o doador.

Essa busca serve para o autor mostrar diferentes perfis de pessoas potencialmente expostas ao contágio pelo vírus. Entre elas, um pai de família com casos extraconjugais, um homossexual que cuida do namorado em estágio terminal de Aids e um rapaz bissexual.

A minissérie não faz julgamento moral dos comportamentos sexuais, apenas ressalta o risco iminente a quem não faz prevenção ao HIV. Ao longo da trama, Léo vira alvo de preconceito, toma todos os cuidados para não transmitir o vírus e tenta retomar a vida amorosa.

A abordagem realista, empática e verossímil vista em ‘O Portador’ mereceu elogios de infectologistas, centros de tratamento da Aids e ativistas da causa. Naquele ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o número de infectados no planeta chegara a 10 milhões.

No Brasil, as pessoas ainda estavam impactadas pelas mortes do galã da Globo Lauro Corona, morto pelo vírus aos 32 anos em 1989, e de Cazuza, no ano seguinte, com a mesma idade. O cantor e compositor travou guerra pública contra a doença. Sua música ‘O Tempo Não Para’ foi usada na vinheta de abertura de ‘O Portador’.

Aquele dramático 1991 ficou marcado pelo corajoso anúncio do jogador da NBA Magic Johnson de que havia sido contaminado (ele está com 62 anos e continua a militar contra a discriminação dos soropositivos) e pela morte por Aids do astro da banda Queen Freddie Mercury, com 45 anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente 920 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. A maior concentração de casos recentemente diagnosticados está na faixa dos 25 aos 39 anos.

A UNAIDS, da ONU, diz que em 2020 havia 37,6 milhões de pessoas com HIV no planeta. No ano passado ocorreram 690 mil mortes pela doença. Apesar das campanhas de prevenção, houve o registro de 1,5 milhão de novas contaminações no mesmo período.
 

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