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TV

Com indicação ao Emmy, Lázaro Ramos estreia 2ª temporada de 'Ó Paí, Ó'

7 nov 2009
08h07
atualizado às 08h10
Márcio Maio

A vida tem sido "carinhosa" com Lázaro Ramos. E ele é o primeiro a admitir. O ator, que estreia no próximo dia 13 a nova leva de quatro episódios de

Lázaro Ramos fala de carreira
Lázaro Ramos fala de carreira
Foto: TV Press

Ó Paí, Ó

, tem um motivo a mais para encher a boca ao falar do trabalho que desenvolve ao lado dos companheiros do Bando de Teatro Olodum. O programa é um dos indicados ao Emmy Internacional na categoria Série de Humor.

Enquanto espera o resultado, que só sai em 23 de novembro, Lázaro mantém os pés no chão e só lamenta o espaço, ainda pequeno, para seus colegas de elenco na TV. "É injusto que o público só possa assistir a atores tão talentosos em quatro episódios por ano. Espero que outras portas se abram daqui para frente", torce.

Ao contrário da primeira temporada, o protagonista Roque, papel de Lázaro na série, não chega com ares de herói. O foco fica mais em cima da música e, para alcançar uma posição bacana no cenário baiano, o aspirante a cantor de sucesso precisa atropelar alguns de seus valores. "Mas no fim de cada episódio existe um arrependimento. A cada semana o público vai perceber essa transformação no Roque", adianta.

O que a segunda temporada de Ó Paí, Ó traz de novo em relação à anterior?
Desta vez, a história é quase uma novelinha contada em sequência. No ano passado, os episódios eram isolados. Em relação ao meu personagem, Roque, ele dá várias escorregadas. Em cada episódio, o público vai ver um vacilo dele. O lado mais caxias de antes mudou. Apesar de ainda vermos o lado artesão, neste ano a trajetória fica mais focada na música. Tem até uma cena em que rola uma apresentação no trio elétrico com o Carlinhos Brown e a gente faz uma homenagem ao Michael Jackson.

Por que vocês decidiram homenageá-lo?
A ideia foi da Monique Gardemberg. A cena tinha o Roque subindo no trio e cantando uma música. Aí ela imaginou que, se fosse exibida na mesma época da gravação, seria em homenagem ao Michael Jackson, por conta da morte. A partir daí, foi criada uma coreografia em cima da música Black or White. Acho que ficou bem bacana.

Você canta em cena. Teve uma preparação especial?
Algumas pessoas se surpreendem porque pensavam que era dublagem. Foi dificílimo cantar a música do Michael, mas sou eu mesmo. No Bando de Teatro Olodum, eu tinha algumas aulas de canto. E quando fui fazer o filme, voltei a estudar e estou até hoje nessa. Mas o que é divertido é que existe uma desculpa por não ser o Lázaro cantando, e sim o Roque. Isso me deixa à vontade. Mas se você soubesse como eu sofro cada vez que vou entrar no estúdio! Eu sou barítono, mas o Roque tem voz estridente. A fala do personagem parece a de um pato rouco.

Ó Pai, Ó marcou sua segunda indicação ao Emmy Internacional, depois da que recebeu como melhor ator em Cobras & Lagartos. Como você recebeu essa notícia?
Estou radiante. Acho isso importante demais para nós. Fiquei muito feliz quando fui indicado pelo Foguinho, meu personagem em Cobras & Lagartos. Mas Ó Paí, Ó, além de ser uma obra que admiro, conta com pessoas na equipe que me encantam muito. O júri é composto por pessoas de países diferentes e perceber que essa história consegue agradar, tocar e divertir outras nacionalidades é bárbaro.

O título da série foi traduzido como The Slum, que significa O Gueto. Isso incomodou você?
Não, acho que a história fala por si só. Ó Paí, Ó também é um gueto. É uma comunidade, um prédio, um cortiço, enfim, não é uma história fácil de se contar. E o artista tem de permitir que o público identifique o que ele quiser dali. São personagens que habitam o universo do humor, mas não têm nada de simples. Cada um tem uma função muito densa. São vários assuntos abordados. Tem gente que vai dizer que é sobre um gueto, outros sobre uma comunidade, cada um vai ver de uma forma distinta.

A estreia da segunda temporada de Ó Paí, Ó foi adiada na Globo. Você ficou preocupado com isso? Pensou na possibilidade de ser jogado para o ano que vem?
Na verdade, o que mudou foi que a nossa curiosidade em relação ao resultado final aumentou. Mas, pensando bem, acho que aconteceu o melhor. Novembro é o mês do meu aniversário, uma época em que o ano está acabando e as pessoas começam a entrar em férias. Com isso, vários telespectadores se permitem dormir um pouco mais tarde. Ano passado estreou nessa época e foi muito bom.

A série conseguiu 20 pontos de média com 44% de share em 2008, ganhando nova temporada. Esse resultado surpreendeu você?
Claro que sempre existiu uma torcida forte, mas a gente não fica planejando muito porque não sabe o que vai acontecer. Imaginei que fosse pegar porque eu conheço o potencial do grupo inteiro. Desde os meus 15 anos, sei da história deles e do talento também. Tomara que isso tenha uma continuidade. E não só na TV. Na essência, trata-se de um grupo de teatro que está emprestado para a televisão. Os produtores de elenco estão aí, vendo o trabalho deles. Espero que aproveitem bem esses profissionais.

Então ainda não está certa uma nova temporada no ano que vem?
Se você me perguntar se tem material para isso, respondo sem titubear que sim. Mas, sinceramente, acho que não é justo o Brasil esperar uma vez por ano para ver essas pessoas trabalharem. Claro que a série é boa, mas existem outras coisas que esses atores podem fazer também. Torço muito para que novas portas se abram para essa galera.

Desde o fim de Duas Caras você não é escalado para nenhuma novela. Já tem ideia de quando volta aos folhetins?
Não estou reservado para nada. Por enquanto, só estou gravando o Dó-Ré-Mi-Fábrica, um especial de fim de ano. É um projeto do núcleo da Denise Saraceni, com direção musical do João Falcão e direcionado para crianças. Trata-se da história de irmãos gêmeos que são donos de uma fábrica de instrumentos musicais. Um é inventor, faz instrumentos inusitados. Já o outro é o administrador da empresa. Eu interpreto os dois. A Nathália Dill, o Chico Diaz e o Alexandre Nero também estão no elenco. Fora isso, na Globo, só a exibição de Ó Paí, Ó mesmo.

Homem de sorte
O sucesso de Lázaro Ramos na TV veio com uma rapidez incrível, apesar de ter apenas duas novelas em seu currículo. O ator estreou na Globo em 2002, na minissérie Pastores da Noite, e logo depois ganhou a simpatia do público ao interpretar o "boa praça" Fred e sua divertida irmã Priscila no seriado Sexo Frágil. Foi escalado para o especial de fim de ano Levando a Vida, em 2005, que protagonizou ao lado de Juliana Paes.

Mas só em 2006 se rendeu aos folhetins e aceitou interpretar o malandro Foguinho em Cobras & Lagartos. "Não tenho um personagem preferido porque quero voltar a trabalhar com todos os autores e diretores que já me chamaram. Mas tenho um carinho especial por essa época", lembra ele, que foi indicado ao Emmy Internacional de melhor ator pela novela.

Seu segundo personagem nos folhetins veio em Duas Caras, quando encarnou o líder político Evilásio Caó. Um trabalho que teve de conciliar com o programa Espelho, no Canal Brasil, que apresenta desde 2006. Lázaro inclusive já trabalha em cima da próxima temporada do programa. Agora, com ainda mais responsabilidades. "Em 2010 eu passo a assumir a direção geral. Ainda não convidamos ninguém, mas queria muito ter o Chico Buarque e o Jorge Ben como entrevistados", adianta.

Lazer em família
Casado com a atriz Taís Araújo, a protagonista Helena de Viver a Vida, também da Globo, Lázaro Ramos garante que reserva parte de seu tempo para assistir às cenas da mulher. O ator orgulha-se por vê-la, mais uma vez, no posto de intérprete de um papel principal de novela.

"Trata-se de uma personagem complexa e acho que ela está linda em cena. Independentemente da relação que temos, acho a Taís uma atriz de mão cheia", derrete-se. Lázaro só perde o sorriso no rosto ao ser questionado sobre como encara as críticas que a mulher vem recebendo por sua atuação. "Não fico olhando essas coisas", desconversa.

Trajetória Televisiva
Pastores da Noite (Globo, 2002) - Massu.
Sexo Frágil (Globo, 2003) - Fred/Priscila.
Programa Novo (Globo, 2004) - Fred/Priscila.
Levando a Vida (Globo, 2005) - Formiga.
Cobras & Lagartos (Globo, 2006) - Foguinho.
Espelho (Canal Brasil, desde 2006) - apresentador e diretor.
Duas Caras (Globo, 2007) - Evilásio.
Ó Paí, Ó (Globo, 2008) - Roque.


Fonte: TV Press
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