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Rafael Infante critica o ódio digital e pede mais empatia

​Ator se destaca no papel de galã gay que finge ser heterossexual em Bom Sucesso

19 set 2019
10h50
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Aos 33 anos, Rafael Infante tem uma carreira consolidada como humorista da nova geração.

Já fez sucesso com trabalhos no teatro, na TV, no cinema e no YouTube (integrou o canal Porta dos Fundos). Agora encara o desafio de interpretar o primeiro personagem fixo em novela.

Ele vive o ator Pablo Sanches em Bom Sucesso, a bem-sucedida produção das 19h30 da Globo.

Rafael Infante sugere um olhar solidário em relação ao outro: “Mais carinho e respeito”
Rafael Infante sugere um olhar solidário em relação ao outro: “Mais carinho e respeito”
Foto: Oseias Barbosa / Divulgação

“Como artista, quero trabalhar em todas as vertentes e as novelas são um universo novo”, explica. “Tem sido um aprendizado e uma troca muito boa.”

Por temer que a homofobia atrapalhe a carreira de galã na TV, Pablo esconde do público e da imprensa o namoro com William (Diego Montez).

Esse comportamento de autopreservação é comum entre atores gays temerosos do julgamento implacável da sociedade conservadora.

A seguir, Rafael Infante comenta sobre a intolerância generalizada e em relação a outros temas.

Foi convidado para Bom Sucesso ou correu atrás da oportunidade?

Aconteceu um convite e adorei o personagem, então foi um casamento legal. O ritmo de gravações é frenético, mas curto muito, então já entrei nessa loucura deliciosa.

Há metalinguagem nesse trabalho: você é um ator que interpreta um ator que interpreta uma versão heterossexual dele. Como foi a construção do personagem?

Quando recebi a sinopse com o perfil do Pablo, somente pensei: “Vamos contar a história desse cara”. Não fiquei preso pensando: “Vou ter que criar um cara assim ou assado”. Ele é um ser humano que tem medos, receios, que erra e acerta. O Pablo é esse cara, essa personalidade única.

Há selinhos no ator Diego Montez. Como é gravar tais cenas?

Trabalhar com o Diego é maravilhoso, ele é um ator entregue e super parceiro em cena. Acho que nós concordamos que o casal precisava acontecer de forma natural, por isso o público curtiu. Não criamos uma expectativa ou “uma sinopse” de como eles seriam juntos, pois na vida real as coisas simplesmente acontecem, ou melhor, o amor simplesmente acontece, e é tão bom. Então eles são esses dois caras que se amam.

Acha importante discutir a homofobia e o ‘armário’ onde muitos atores gays ainda estão escondidos?

Infelizmente é uma verdade inconveniente. Muitos se escondem porque vivemos em uma sociedade machista que não aceita o ser humano, não tem empatia e carinho pelo próximo. Julgamos e colocamos o dedo, então é importante sim mostrar que todos merecem amor e respeito sempre.

Você e Ingrid Guimarães encabeçam um núcleo cômico. Como tem sido trabalhar com ela?

A Ingrid é uma atriz maravilhosa, admiro demais o trabalho dela. A troca que temos fica nítida em cena, e isso é muito bom.

O ator toma o cuidado de evitar que a maldade das redes sociais contamine sua vida
O ator toma o cuidado de evitar que a maldade das redes sociais contamine sua vida
Foto: Reprodução / Instagram

Como é o Rafael Infante no papel de pai?

Acredito que eu esteja me saindo bem, assim espero. Acho que a Lara e a Tatiana poderiam responder melhor, mas nunca tive reclamações. Recebo bons elogios, então acho que até o momento sou um pai legal (risos).

(O ator é casado com a atriz e escritora Tatiana Novais; eles são pais de Lara, de 3 anos.)

Ser pai de menina mudou de alguma maneira sua visão de mundo e em relação às mulheres?

Acho que nós passamos a observar melhor como é importante criar um ser humano para o mundo. Ser pai de menina é maravilhoso, eu tento curtir ao máximo cada momento com ela. Quando surgem dúvidas e algum questionamento, tento explicar e aprender com ela também, pois todos somos seres humanos em constante construção.

Vivemos a era da vida digital, das relações superficiais e da radicalização. Como você encara tudo isso?

Eu acho que vivemos em um momento de ódio digital que é extremamente perigoso, as pessoas se escondem atrás de máscaras na internet. Falam e têm ações maléficas, sem pensar se vão prejudicar o outro. Eu tento não viver tão dentro desse mundo. O que me importa é o que vivo com meus familiares e amigos. Curto dividir com meus fãs, e aqueles que não estão próximos todos os dias, um pouco da minha rotina nas redes, mas tenho o cuidado de não deixar que comentários e atitudes mesquinhas atinjam pessoas que gosto e a minha própria vida.

Ser filho de uma psicóloga e um psiquiatra fez você enfrentar facilmente as questões existenciais e emocionais?

Acho que tive uma boa base familiar, que bom, e isso fez com que eu tivesse essas questões mais bem resolvidas. É claro que todos temos inseguranças e medos, e eu também os tenho, porém não deixo que me afetem de forma que eu fique paralisado. Quando construo um personagem, penso que ele é um ser humano, então, claro que construo uma mentalidade para ele com tudo que o tem direito.

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