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Novela da Globo terá beijos de héteros em gay e transexual

Escrita por um bissexual declarado, A Dona do Pedaço vai desafiar a cruzada do presidente Bolsonaro e de seus apoiadores contra diversidade

1 jul 2019
14h15
atualizado às 14h16
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O primeiro beijo gay da televisão brasileira foi entre duas mulheres. Aconteceu no teleteatro A Calúnia, em 1963, na TV Tupi, quando as personagens das atrizes Vida Alves (1928-2017) e Georgia Gomide (1937-2011) trocaram juras de amor.

Mas o tabu só foi rompido realmente em janeiro de 2014: a Globo exibiu o beijo na boca entre dois homens – Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) – no último capítulo de Amor à Vida, de Walcyr Carrasco.

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Foto: João Miguel Júnior / TV Globo

O mesmo autor, bissexual assumido, volta a provocar o telespectador conservador em A Dona do Pedaço. O vilão Agno (Malvino Salvador) é, assim como Félix, um pai de família aparentemente exemplar, porém, esconde uma vida dupla.

Na semana passada, o grande segredo – que, na verdade, todo mundo já sabia – veio à tona: o empresário gosta de contratar garotos de programa nas ruas para realizar sua homossexualidade represada.

O próximo passo de Agno será conseguir a separação de Lyris (Deborah Evelyn) e, depois, seduzir seu novo protegido, o aprendiz de boxeador Rock (Caio Castro). Sem titubear, o machão enrustido já avisou a namorada do rapaz, Fabiana (Nathália Dill), que vai roubá-lo dela.

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Foto: Reprodução / Instagram

Aparentemente, Rock é heterossexual, mas a sinopse da novela prevê que ele cairá nas garras do investidor. Do tórrido romance gay surgirão beijos – e mais polêmica.

Walcyr Carrasco não tem medo de provocar o público avesso à diversidade sexual. Em seu folhetim anterior, O Outro Lado do Paraíso, ele fez o médico tirano Samuel (Eriberto Leão) beijar apaixonadamente o ‘ex-hétero’ Cido (Rafael Zulu). Na época, houve mais apoio do que protestos.

Ainda em A Dona do Pedaço, a transexual Britney (Glamour Garcia) engatou romance rocambolesco com Abel (Pedro Carvalho). O confeiteiro português é a única pessoa no planeta Terra que não percebeu a mudança de gênero da namorada, que se diz virgem.

Quando a verdade prevalecer, a trans enfrentará o preconceito do rapaz. Depois desse conflito, os dois viverão sua história de amor contra tudo e todos.

A abordagem dessas questões – orientação sexual, transição de gênero, homofobia e transfobia – não foram criadas ao acaso. O autor parece enviar um recado direto a quem faz campanha de boicote à Globo por conta da promoção desses temas sociais na teledramaturgia do canal.

Resta saber como será a reação popular em um País cada vez mais polarizado e intolerante. Por enquanto, a novela passa incólume aos ataques lançados nas redes sociais.

A audiência está 4 pontos acima da produção anterior, O Sétimo Guardião. Somente na Grande São Paulo, o novelão atual trouxe de volta à Globo cerca de 800 mil telespectadores nas últimas semanas.

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